Coopan: Cooperativismo e alimentos saudáveis

Nilvo Fernando Bosa, presidente da Cooperativa Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), revela que a entidade tem como principal objetivo “proporcionar aos seus associados acesso à produção coletiva”, para que possam produzir bens e serviços para si e para terceiros — assentados, agricultores familiares, pequenos comerciantes, etc. As principais atividades são o desenvolvimento da produção agropecuária, as agroindústrias de suínos e arroz e a prestação de serviços.

 

A Coopan tem origem no processo de acampamento, quando foi discutido, de 1989 a 1994, as formas organização. Um grupo de famílias optou pela cooperação agrícola como forma de produção no assentamento. Em 1994, foi constituído o Assentamento Capela com 100 famílias, 52 delas integrando a cooperativa. No decorrer do processo, algumas não se adaptaram ao sistema coletivo de produção, optando por ter a sua produção individual, em lote, e outras novas foram integradas. Desde a primeira liberação de recursos para as famílias investirem, iniciou-se a criação de suínos. Mais tarde, começou o cultivo de arroz, leite, panifício e hortigranjeiro de subsistência.

Hoje a Coopan possui uma área coletiva de 580 ha, 70% de terra baixa (várzea), com 240 ha para plantio de arroz orgânico, 130 ha para pastagem de gado leiteiro com manejo orgânico, 50 ha em construções e agrovila, 30 ha para açudes e parte da barragem e o restante para reflorestamento, estradas, valos e reserva florestal. A Coopan possui um abatedouro, estando um novo frigorífico previsto para operar em 2019, e panifício para fornecimento de produtos para mercado, estando a produção de leite organizada com o conjunto das cooperativas dos assentados do estado.

 

Produtos no Mercado Público

No Mercado, os produtos da Coopan são arroz orgânico (a granel) e panifícios, como pães, cucas, bolachas e diversos produtos de farináceos. O carro-chefe ainda é o arroz orgânico — a tendência é que, com o início da operação do novo frigorífico, a cadeia de cárneos passe a ser maior que a cadeia de arroz. Do ponto de vista histórico, o domínio do processo de produção de arroz orgânico ocupará importância permanente na vida da cooperativa, como informa Nilvo, acrescentando que o principal diferencial dos produtos da cooperativa é que eles, distribuídos para todo o país, são produzidos sem agrotóxicos.

 

Qualidade coletiva

A cooperativa coordena o planejamento coletivo da produção e organização do trabalho, cuida do comércio, transporte e treinamento, entre outras ações. “Hoje participamos de uma organização coletiva de cooperativas de trabalhadores assentados da Região de Porto Alegre, a Cootap. Foi a partir da organização coletiva que conseguimos desenvolver tecnologia e conhecimento técnico de manejo, fazendo com que hoje estejamos posicionados como os maiores produtores de arroz orgânico da América Latina”, conta Nilvo.

Além disso, estudo e parcerias com centros e instituições científicas de todo o mundo. “Tudo isso nos permitiu ter uma produção que se contrapõe ao uso indiscriminado de venenos. Aprendemos que alimento é vida, é saúde. Consideramos a produção de alimentos orgânicos como um princípio ecológico, de respeito a natureza, e a população está despertando para esta questão de alimentos saudáveis”, acrescenta.

 

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