Confraria Santa Cruz, o sabor da amizade

Moqueca baiana de pampo, arroz branco e um pirão com a cabeça do peixe encerraram as atividades de 2017 da confraria, que se encontra regularmente no Restaurante Santa Cruz.

 

Um dos pontos mais populares e tradicionais do Mercado, o Bar e Restaurante Santa Cruz, tocado pelos irmãos Marcelo e Marcos Loureiro – filhos de José dos Santos Loureiro, um dos portugueses históricos do Mercado Público, falecido em 2013 –, tem os seus frequentadores fiéis de muitos anos. O bar reúne um pequeno grupo, de aproximadamente 10 amigos – a chamada “turma da bancada”, que fica no balcão bebendo e aperitivando diariamente. Um deles, Edmar Altreiter, também conhecido como Alemão, há uns quatro ou cinco anos, junto com outro amigo (que não tem aparecido ultimamente), naquelas típicas conversas de bar, teve uma ideia. “Um dia sugeri de fazer uma janta aqui no bar. Ele disse ‘mas eu não sei cozinhar’, e eu respondi que também não, mas alguma coisinha a gente faz’.”

Altreiter deu algumas sugestões, como um carreteiro, que é simples, rápido e fácil de fazer. “E aí, a gente veio vindo, fizemos um risoto, arroz com linguiça, massa com galinha. Normalmente a gente faz na primeira segunda-feira de cada mês, que é bem tranquila.” Marcelo, que comanda o bar a partir das 16h, cede a cozinha para os eventuais cozinheiros confrades. “A gente começou de brincadeira, e uma vez por mês o pessoal da noite que fica aí, clientes de todos os dias, todos conhecidos entre si, faz a janta, que sai baratinho para cada um.”

Já o cozinheiro da última noite, Gastão Viegas Jr., frequenta o restaurante há, no mínimo, 20 anos. “A gente tem uma relação de amizade muito forte aqui, essa é a razão de manter a confraria. A função principal aqui é a amizade, a interação – tem todo o tipo de profissional e de pessoa aqui dentro.” O prato escolhido para dezembro foi uma moqueca de pampo, um peixe, segundo ele, de carne firme e saborosa. A escolha foi para combater o preconceito de que só linguado, congrio e salmão são peixes nobres. Mas, como todos ressaltam, a receita é só o pano de fundo para a amizade.

Os confrades Edmar Altreiter, Gastão Viegas Jr. e Reginaldo Mentz.
Foto: Emilio Chagas

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