Complexo Cultural Multipalco, um marco na cidade

CENTRO HISTÓRICO, por Emílio Chagas

Tudo começou com a reforma – melhor dizendo, reconstrução – do Theatro São Pedro, liderada pela mentora cultural Eva Sopher. E veio sendo amadurecida por ela ao longo dos 40 anos que está à frente deste importante espaço cultural da cidade, segundo afirma o diretor do Multipalco, José Roberto Diniz de Moraes, músico, educador, especialista em folclore e cultura popular e advogado.

 

Na década de 1970, já “condenado”, o Theatro estava prestes a ser derrubado. Coincidiu com a chegada de D. Eva, como é carinhosamente conhecida no meio artístico no estado, quando ela liderava a Proarte. Segundo José Roberto, ela ficou trabalhando quase oito anos na reconstrução do teatro, até ele ser reinaugurado em 1984. “Na sequência, ela tem duas ações também muito importantes, que são a criação da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro (atual Associação Pró-Música) e a Associação Amigos do Theatro São Pedro”, acrescenta. Ele lembra que, nesse período, a administração do teatro funcionava no porão – espaço insuficiente. Começou, então, a sua luta para agregar os terrenos lindeiros junto ao teatro, para criar uma área administrativa maior. Nesse período, através do governo estadual, foi lançado o edital para três projetos: o Cais do Porto, a construção da Sala Sinfônica e o Complexo Cultural do Theatro São Pedro, este vencido pelos arquitetos gaúchos Dalton Bernardes, Julio Collares e Marco Peres. Mas, de lá para cá, o projeto ganhou outra configuração, tornando-se bem mais amplo, afirma o diretor – que chegou no TSP em 1999, especialmente para resolver problemas administrativos entre a prefeitura e o Estado.

Em constante evolução

Porém, surgiram problemas com captação insuficiente “e nada andava”. A conclusão foi a de que, se não fosse através da AATSP, o projeto não sairia do papel. Foi, assim, abandonada a ideia de buscar recursos públicos junto ao Estado e elaborado um projeto, via Associação, para o Ministério da Cultura. “Com o prestígio dela (Eva Sopher), a gente conseguiu as verbas necessárias e a presença do Banrisul. Dia 23 de março de 2003, começou, simbolicamente, a reconstrução do teatro.” De lá para cá, o projeto acabou sendo ampliado, incorporando salas especializadas. A nova sala de teatro, que inicialmente estava prevista para ser um teatro de câmara, por exemplo, passou a ser um teatro igual ao São Pedro, com 650 lugares. O espaço também ganhou uma sala para corpo de baile, até então inexistente no estado. Fazem parte do Multipalco: praça Multipalco, concha acústica, restaurante, sala de atendimento aos associados da AATSP, salas de reunião, sala da música, centro cultural, salas múltiplas (para realização de workshops, oficinas e seminários), sala da dança, teatro italiano, cine teatro oficina, cafeteria e bar, lojas (quatro, destinadas à prestação de serviços ao público), estacionamento, além da área administrativa. Ecologicamente correto, foi o primeiro espaço a ter um telhado verde na cidade, além de reuso de água da chuva e futura captação de energia solar. “O Multipalco é um prêmio para a cidade, uma atração turística, desempenhando um papel poderoso no reviver do Centro Histórico”, conclui o seu diretor.

Fotos: Emílio Chagas

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