Cisne Branco, agora navegando em águas firmes

Ícone do nosso turismo fluvial, navegando as águas do Guaíba há 38 anos, o Cisne Branco já é um patrimônio afetivo da cidade, incorporado pela população e turistas vindos de todas as partes. Alvo do vendaval que atingiu Porto Alegre no dia 29 de janeiro de 2016, quando não resistiu à fúria dos ventos e das águas, o barco acabou adernando no seu ponto de embarque, junto ao Armazém B3 do Cais Mauá, ficando completamente destruído, depois de ter sido tragado pelas águas em apenas 20 minutos.

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Adriane Hilbig, a “comandante” do Cisne Branco Fotos: Emílio Chagas

 

“A recuperação foi feita em tempo recorde”, diz Adriane Hilbig, diretora e proprietária, lembrando que duas horas antes ele tinha feito o seu último passeio. O processo de reflutuação (ficar em cima da água) durou 58 dias, quando foi retirado todo o entulho que continha. E foi, então, rebocado para o estaleiro de São Jerônimo, para a recuperação. Apenas oito meses depois, em 27 de setembro, foi reinaugurado. “Foi realmente um tempo recorde, porque é uma embarcação muito grande. Uma obra assim, dizem os entendidos, é para dois anos. As equipes de trabalho foram muito dedicadas. Foi muito emocionante de ver”, registra Adriane. Ela ressalta a importância das parcerias para a recuperação do barco, num momento difícil e, além disso, de crise no país: “1/3 do investimento veio dessas parcerias, empresas como RedLar, Mil Sons, Lexxis, Tchê Ofertas, Elevatto, Leve Monte, Sul Náutica, que aportaram dinheiro ou produtos, ou ainda facilitaram em muito o pagamento”, diz. Só assim, em tão pouco tempo, foi possível trazer o Cisne Branco de volta, totalmente novo, com perfis de alumínio, de ferro, forração, mobiliário, iluminação e sonorização, etc. “Não fechamos a conta ainda, mas foi, aproximadamente, de R$ 1,5 milhão”, contabiliza.

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Deque superior, vista panorâmica

 

ESTRUTURA COMPLETA

O barco, que levou dois anos para ser construído, foi inaugurado em 1978, com roteiros pelo Guaíba, já com capacidade para passeios e eventos – três andares, 40 m de comprimento, 15 m de altura, com acomodação para 200 passageiros. Pioneiro nesta atividade, é o único com esta estrutura, tendo cozinha específica, danceteria, equipamentos de acessibilidade, tratamento de dejetos, entre outros diferenciais.  “Ele criou uma sinergia muito forte com a cidade, e isso ficou muito evidente quando aconteceu essa tragédia. A gente sabia que o nosso trabalho era importante, mas não imaginava que o carinho da população fosse tão forte. Isso nos surpreendeu, e foi o que nos deu muita força para recuperar o Cisne Branco”, afirma. Ele possui três deques: o superior é o panorâmico, a céu aberto, hoje com palco para música ao vivo e bancos para os tripulantes apreciarem a cidade durante o passeio; o intermediário, onde fica a copa principal da embarcação, para jantares, coquetéis, chás e todos os serviços que a embarcação oferece. Funciona, inclusive, como um auditório para palestras. E o deque de baixo, onde funciona a danceteria, que “não perde para nenhuma de Porto Alegre”, diz Adriane.

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O deque intermediário, próprio para eventos

 

OS ROTEIROS: ILHAS, PÔR DO SOL E LUARES

São vários os roteiros oferecidos: o tradicional Navegando pelo Guaíba, com uma locução ilustrativa, bilíngue, que vai falando sobre a própria cidade, “com um apelo bem turístico, dando uma ideia do que é o nosso Delta do Jacuí, mostrando as ilhas”; o Passeio Almoço; o Happy Hour, que faz uma navegação rumo à Zona Sul, para apreciar o pôr do sol, e o Luzes da Cidade, de propósito mais romântico, com jantar e danceteria, uma das mais completas que o barco dispõe. Além disso, o Projeto Ecológico, atualmente só para grupos formados, mas que voltará em 2017 à sua programação normal, e o Hidroviário a Santa Cruz do Sul, que também estará de volta em março de 2017. Por falar em retorno, Adriane faz questão de expressar sua gratidão aos que se envolveram na recuperação barco, especialmente aos cidadãos de Porto Alegre pelo apoio para devolver o Cisne Branco às águas do Guaíba.

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A danceteria, na parte de baixo.

 

Informações: (51) 3224.5222/99712.5672

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