Cidade das Crianças e a bonita história da boina vermelha

Cidade das Crianças e a bonita história da boina vermelha

 

Ana Marta Meira, Coordenadora do projeto Cidade das Crianças, é psicóloga, psicanalista e doutoranda em educação na Ufrgs. Realiza uma pesquisa sobre o olhar das crianças sobre a cidade de Porto Alegre. A partir de um dos passeios e de uma inusitada cena nas imediações da Praça da Alfândega, surgiu a idéia de realizar um curta-metragem que tem como foco exatamente esse olhar e interpretação das crianças sobre a cidade.

 

A idéia de fazer o curta metragem “Aquela Boina Vermelha”, diz Ana, veio  a partir de uma parceria com o projeto Monumenta, que convidou crianças para realizar atividades na Praça da Alfândega, que se encontra em processo de restauração e revitalização. “A Briane (diretora do Monumenta) acompanha o projeto desde a sua fundação, em 2006″. A idéia consiste em trabalhar a relação das crianças com a cidade de Porto Alegre e principalmente no Centro Histórico, onde elas realizam atividades artísticas e buscam o resgate da história de Porto Alegre, assim como laços coletivos entre elas. “Então nós levamos as crianças em março, para eles conhecerem os tapumes. Elas começaram a tocar o material e ver o que poderia ser feito ali, dentro do tema As Crianças e a Cidade”, diz Ana. Inicialmente começaram a ser feitas intervenções, na rua da Praia, com tinta, idéia que as próprias crianças propuseram. “Elas escreviam poesias, faziam perguntas para pessoas que passavam, como: vocês gostam de crianças?”, conta a psicanalista.

Nesses trabalhos se reuniram crianças de vários grupos sociais, incluindo crianças indígenas, filhos de artesões da praça, junto com as crianças do projeto, que também é aberto. Assim, uma grande diversidade de crianças se reunia no entorno dos tapumes, dando início ao trabalho que se realiza até o momento. Lembra Ana: “Então, uma cena aconteceu em um dia frio de inverno, onde havia apenas uma menina presente. Ela estava com uma boina vermelha, e já que as outras crianças não estavam, ela brincou, que nós (adultos) éramos as crianças e seríamos seus alunos. Fez uma chamada no tapume e escreveu o nome das crianças do projeto, mesmo não estando e começou a nos dar uma aula sobre os animais aquáticos. Aí ela pegou a boina e jogou para trás, para matar um formigão, enorme, e ela caiu do outro lado do tapume.” A menina pediu, então, para se escrever um bilhete, já que ainda está sendo alfabetizada, pedindo desculpas por ter jogado a boina, dizendo que ela viria buscar quando a Praça abrisse. O bilhete foi jogado em um aviãozinho de papel, que lá ficou junto com a boina.

Como Ana sempre se correspondia com Briane pelo correio eletrônico mandando imagens a cada sábado do que acontecia, contou-lhe a singular história da boina vermelha. Briane na segunda-feira foi ao local e encontrou a boina, toda molhada, pois havia chovido no domingo. Mandou, então, um e-mail dizendo que isso daria um belo curta metragem e aí inicia a história. O Projeto conta com o apoio do Centro Cultural Érico Veríssimo, que acolhe as crianças semanalmente aos sábados à tarde, desde 2007. Conta com o apoio do Projeto Monumenta, da Livraria Bamboletras, e da Fundarte. Recentemente foi firmada a parceria com a Zapata Filmes, gerando outras redes, em relação a intervenções com a infância na cidade. O projeto esta em fase de captação e os comerciantes do Mercado garantiram as filmagens iniciais, das cenas realizadas, tanto nos tapumes da Praça da Alfândega, quanto nas escavações arqueológicas. A previsão de execução do curta metragem é em torno de seis meses. “Em 2011 está saindo do forno”, finaliza Ana.

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