Chelsea, mercado gastronômico de Nova York/EUA

Mercados do Mundo, por Felipe Daiello

Em prédio antigo, paredes de tijolo vermelho, estrutura industrial, local de antiga fábrica de biscoitos, atualmente é o mercado mais charmoso da “cidade que nunca dorme”, segundo palavras de Frank Sinatra em canção símbolo de NY.

Localizado no térreo das instalações da Nabisco, desativada em 1958, após readaptações, proporciona algo que não encontramos em Chinatown, Hell’s Kitchen e Union Square.

Podemos procurar Chelsea Market pelos restaurantes famosos e distintos, pelos pontos turísticos próximos, como o High Line, ou mesmo pelo que oferece como oferta em produtos, variedades, opções de escolha e de compras. Merece atenção redobrada e várias visitas e inspeções.

No entorno, lojas de grife nos recordam que Chelsea sempre esteve ligado ao bom gosto e ao ótimo sistema de viver, admirar e degustar NY. Para cada lição de culinária, encontramos restaurantes como o Morimoto, o Buddakan, o Thai Wholesale e o Rana, com suas especialidades em massas italianas, com combinações de molhos e de queijos no formato no grano duro, capazes de nos deixar indecisos na escolha por longos minutos. Os pratos, bem servidos, podem ser compartilhados sem problema ou objeção.

Além disso, pequenos botecos servem pequenas refeições, desde tacos até enormes lagostas do Maine. Diferente das nossas, são gigantes, com duas pinças enormes em vermelho sedutor. Não dá para resistir. Ofertas de vinhos, em lojas-boutique, agregam mais seduções.

É complexo para passear, bisbilhotar, adquirir, consumir ou simplesmente deixar o tempo passar, bem devagar, sem pressa alguma. Pelos corredores, apinhados de uma multidão de turistas, os detalhes da fábrica de biscoitos que produzia o famoso “Oreo” não ficam despercebidos.

Flores encontram o seu santuário. A loja de pescados, que apresenta caranguejos do Pacífico, salmão do Alasca e ostras do Atlântico, é outro ponto de destaque. O sushi e os temakis são preparados e embalados na hora, em frente ao freguês. Sopas tradicionais do Maine abrem alternativas. Alguns peixes são preparados ao instante.

Especialidades, como o ouriço do mar, escuro com seus espinhos, trazem o prazer do consumo das suas línguas. Apetite estranho para mortais não acostumados às excentricidades da cozinha mundial.

Como estamos no meio de restaurantes, nada melhor do que entrar em local especializado na aquisição das panelas adequadas a cada receita, capazes de fornecer os utensílios exigidos pelas mãos dos mestres. Facas especiais, garfos em formatos bizarros, incluindo a vestimenta adequada ao exercício da nobre missão de acabar com a fome no mundo.

No Buon Italia, tudo o que a Mama exige para preparar a refeição típica de Nápoles, de Roma, da Toscana ou da afamada Torino está bem na nossa frente: queijos, óleos, trufas, temperos, tudo para lembrar as raízes e a paixão italiana por uma boa mesa, grande o suficiente para acolher toda a família.

Lojas de guloseimas oferecem geleias, cookies e brownies, além do tentador chocolate. A balança, desconfiada, vai descobrir o pecado da gula no dia seguinte.

Dependendo da época, a decoração principal é ajustada: o dia das bruxas exige abóboras por todos os lados, algumas inclusive apresentam dentes iluminados por velas escondidas, o Natal é parceiro de pinheiros enfeitados e o Dia dos Namorados é associado a confeitos, doces e bombons com recheios magníficos, alguns com licores dignos dos deuses.

No breakfast, o tradicional café é acompanhado por torradas e ovos mexidos com bacon e pastrami como coadjuvante. Dependendo da hora da acolhida, sempre existe alimento adequado ao faminto que procura refúgio no Chelsea Market. Sorvetes italianos, doces com frutas vermelhas, o syrup tradicional do maple de Vermont são essenciais para terminar em elevado estilo a nossa refeição.

Fotos: Felipe Daiello

Agora, no armazém, podemos escolher as frutas da estação, os pimentões em quatro cores (vermelho, amarelo, rosa e verde – só faltou o roxo que vimos em uma ilha grega), as berinjelas brancas, o rabanete e os nabos ecológicos – preço adequado à grife –, bem como comprar frutas secas, sementes e nozes procedentes do mundo todo. É uma festa o que se pode aproveitar em um mercado com tantas ofertas. Cada visita exige um cardápio e um destino específicos.

Depois podemos circular pelo passeio já tradicional e que foi inaugurado em 2009. High Line usa uma via elevada desativada da antiga rede de metrô, que passava pelo interior da fábrica. Desde a 14th Street até a 30th Street, o jardim suspenso, entre os prédios, permite um excelente caminhar, tendo o Rio Hudson e a cidade de Nova Jersey, do outro lado, como paisagem para apreciar. São quase 2 km de caminhada, mas vale a pena.

Para os que fazem passeios fluviais pelo Circle Line – recomendo –, é o trajeto indicado antes ou depois de excursão. Complementa o dia e abre novas perspectivas nesta cidade mágica, metrópole que nunca dorme.

Frank Sinatra foi o primeiro a constatar.

 

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