CHEF PÃOZEIRO FABIANO SOARES

O pãozeiro Fabiano Soares

 

Com a mão na massa desde cedo

 

É de família: o pai, os tios e o avô foram padeiros. Então desde a infância Fabiano Soares, 41, vive esse mundo. Mas foi na adolescência que ele botou, literalmente, a mão na massa. Estudava durante o dia e trabalhava na padaria do avô à noite. Para ele, era o melhor lugar para trabalhar, principalmente no inverno quando a padaria se aquecia para tirar o pão quentinho para a freguesia.

 

Como ele mesmo diz, quem trabalha uma vez numa padaria não consegue abandonar o ramo. E pão, para ele, está associado à sua infância. “Passei a vida inteira escutando o que era uma padaria. Trabalho com pão desde os 15 anos”, diz. Seu caminho só podia ser este. Fez vários cursos no Senai e no Senac, onde mais tarde, em 2001, voltaria como instrutor. Dividia o tempo ensinando e trabalhando em padarias. Também trabalhou em multinacionais de fermento, como a Fleischmann, onde era consultor técnico e fazia desenvolvimento de produtos, e na Bunge Alimentos, orientando os clientes como usar os produtos. Viajou o Brasil inteiro, dando assistência a padarias, redes de supermercados, formando padeiros. “Trabalhei bastante no nordeste e no interior de São Paulo. Queria parar de viajar, passava muito tempo fora com a Bunge. Estava a fim de empreender e aí surgiu a ideia de fazer uma empresa de pães especiais. Sempre quis vender pão para restaurantes”.

 

Do Facebook para a mesa de clientes e restaurantes

 

            Começava a nascer, então, a Paõzeiro Pães Artesanais. Com poucos recursos, o caminho foi utilizar as redes sociais para divulgar os produtos. “Criamos uma fanpage no Facebook e começamos a postar fotos, com cuidados de luz, textura de pão, e foi dando certo”, lembra. O nome é uma referência ao nordeste, onde existe a figura do pãozeiro, que é uma pessoa que passa de carrinho nas casas das pessoas fazendo entrega de pães. O empurrãozinho que faltava veio com o apoio da jornalista Cláudia Aragón, que edita a publicação “Porto Alegre, quem diria”, divulgando lugares e ideias inusitadas da cidade, que postou a proposta no seu Facebook. “Ficamos super conhecidos, muita gente fazendo pedidos, bombou a ideia de ser a primeira padaria que entregava pão quentinho em casa”, registra Fabiano. Depois de um tempo, começaram a surgir os pedidos dos restaurantes, atendendo uma média de 20 deles em Porto Alegre. São duas demandas, na verdade, que a empresa trabalha: uma é dar treinamentos, assessorias e cursos de panificação artesanal e básica. A outra é a fabricação de pães diferentes, criativos.

 

Pães artesanais e orgânicos

 

            A proposta é fazer uma coisa brasileira, pães caseiros. “Todos os que a gente faz são pesquisados e testados em muitas receitas. Nós lançamos e montamos vários cursos”, explica. Alinhado com as tendências da cozinha regional, orgânica e artesanal, o Pãozeiro usa farinhas regionais, com fornecedores exclusivos, inclusive de moinhos de pedra, sem gordura, só com manteiga, óleos e azeites especiais. “A ideia é fazer pães que despertem a memória afetiva, a gente faz pães sensitivos, com processos manuais e quantidades limitadas. Estamos indo um pouco na contramão do que a indústria faz, sem aditivos, corantes e conservantes”, revela. Como presta consultoria para o Sebrae, Fabiano tem uma grande demanda de cursos de pães, pastas, hot dog, sanduíches, mesa para pães italianos, além de participar de feiras de comida de rua. Entre os seus projetos, está uma parceria com o Solar Coruja para fornecer pães especiais, feitos com o malte que é usado na cerveja. Outra bela ideia.

 

Fotos: Greice Campos 

 

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