Chef Lucas Corazza: “Tem muita cultura aqui, ela só precisa ser revalorizada”

O chef paulistano, especializado em confeitaria, esteve em Porto Alegre para ministrar um curso promovido pela Comercial Martini. Durante as suas viagens mundo afora, conheceu muitos mercados públicos e relembra, com carinho, as peculiaridades de cada um — inclusive, do nosso Mercadão.

 

Lucas se dedica à gastronomia há 18 anos. Estudou nas renomadas Écoles Nationale Supérieure de Pâtisserie, em Yssingeaux, e na Ecole Gastronomique Bellouet Conseil, em Paris. Com uma carreira premiada, foi eleito em 2014 o melhor chef patissier do Brasil pela revista Prazeres da Mesa e, recentemente, foi homenageado pela Revista Folha em razão do seu trabalho voltado para chocolates de origem brasileira. Além de ministrar cursos e workshops em todo país, com o tempo, conseguiu espaço como comunicador e, atualmente, faz parte do programa “Que seja doce”, no canal GNT. “Sempre trabalhei com chefs e restaurantes em que eu realmente acreditava. Nunca fiz nada só pelo dinheiro, mas pela paixão, pelo desejo de fazer um trabalho manual, como um artesão. Hoje, meu cerne é ser um professor. Conseguir transmitir conhecimento e contribuir efetivamente para a confeitaria”, diz.

Foto: Fabiane Pereira

 

“O Mercado é uma convergência de energias”

Sempre que vem a Porto Alegre, Lucas faz questão de passar no Mercado Público — é encantado com a beleza e pluralidade do local. Contudo, acredita que é necessária uma revitalização cultural para que o espaço seja melhor aproveitado. “Estamos falando de um lugar que tem um símbolo como o assentamento do Bará, sem contar todo esse entorno do Centro Histórico. Além de tudo, não é só um ponto turístico, mas um local realmente utilizado pela população. Isso é maravilhoso! Tem muita cultura guardada aqui, ela só está precisando ser revalorizada com espaço para aulas e mais eventos acessíveis ao público. O Mercado já é muito rico, muito diverso, um espaço plural e democrático. Se acontecesse isso, seria perfeito”, analise o chef, que também não esconde o desejo de realizar as suas aulas no Mercadão.

 

Mercados pelo mundo

As viagens pelo Brasil e exterior renderam visitas a muitos mercados. Mesmo com as diferenças culturais de cada região, em termos de gastronomia, aponta como semelhança entre a maioria o fato de os restaurantes nem sempre trabalharem com produtos frescos, mesmo que estejam à disposição no próprio local. No Brasil, cita alguns que já visitou. “Em São Paulo/SP, no mercado da Cantareira, existe uma valorização enorme da cultura de comida de rua. Em Salvador/BA tem o mercado do Rio Vermelho, com ar mais moderno. Em Belo Horizonte/MG, abriu recente um voltado só para gastronomia, que copia muito o mercado da Ribeira, de Portugal. Todos muito bons de serem visitados”, diz.

 

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