Chef Letícia Silva Preparando o Natal em casa

Chef Letícia Silva

Preparando o Natal em casa

 

Natural de Porto Alegre, Letícia Silva, 33, é professora de gastronomia da Faculdade Senac e formada em História. Tendo como maiores influências as bases e técnicas da cozinha profissional francesa, ela também se interessa bastante pela cozinha regional, pela culinária típica e comida popular.

 

            Ela começou profissionalmente na gastronomia quando fez o curso de cozinheiro no Senac, em 2008. “Na época estava me formando em licenciatura em História e tinha viagem marcada para Espanha. Morei lá dois anos”. Mas Letícia também teve sua iniciação gastronômica no Mercado Público: um tio materno tinha uma lancheria na década de 80, onde hoje fica a Temakeria Japesca. Lembra que, desde pequena, chegava no Mercado e sempre era recebida com um chocolate. Pelo lado materno, diz que a família sempre foi muito ligada com a boa mesa. “Minha mãe cozinhava muito bem e esse meu tio, pensando no ponto de vista da gastronomia atual, tinha uma proposta bem inovadora: era especialista em mocotó e tinha mais uma ou duas opções de almoço diariamente. Muitas vezes chegava um cliente e via ele ir para cozinha e fazer um prato especial, um conceito que hoje em dia se tenta resgatar: a cozinha regional, a fidelização do cliente e  um cardápio reduzido, como em um bistrô”.

 

Raízes brasileiras

 

            Por “trazer o gosto de infância para a mesa”, a comida regional é o que ela mais gosta de cozinhar. Sua visão sobre a gastronomia atual é bastante singular: “Atualmente ela vem em busca das nossas raízes: raízes no sentido literal e raízes no sentido de busca pelos ingredientes e técnicas que foram perdidos pela intensa transformação social que um país colonizado sofreu, pois  o português branco colonizador foi um instaurador da hierarquia, inclusive da hierarquia alimentar”, afirma. A partir disto, ela considera fundamental ir em busca dos conhecimentos dos indígenas, dos percursos alimentares produzidos por uma sociedade miscigenada como a brasileira. “As atuais pesquisas, que se tornam alicerces para a construção de uma nova cozinha, estão justamente nas raízes e bases de uma cozinha brasileira”, avalia.

 

Foco na comida popular, regional e sustentável

 

            Aliando a sua formação em História, ela vem pesquisando sistematicamente sobre as raízes das cozinhas regionais e suas comidas típicas. “Gosto de testar pratos, como o Baião de Dois, nordestino, buscando ingredientes como carne seca e manteiga de garrafa”, revela. Dizendo-se “muito focada” na comida popular, ela recentemente ministrou um curso de comida de boteco – pastel, bolinhos de bacalhau, feijão e de batata, almôndega, torresmo e outros. “Tem um sabor que todos gostam, surgiram de forma espontânea e caíram no gosto popular”.

 

Foto: Greice Campos

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