Cervejeiros na TV

Em 1981 entrei na Engenharia Química da PUCRS e, logo após a primeira visita técnica a uma cervejaria, fiquei obstinado em fazer cerveja em casa, baseado naquelas receitas antigas que os colonos tinham adaptado com os ingredientes e processo possíveis, transformando o RS num celeiro de cervejeiros caseiros de outrora.

 

BURGOMESTRE, por Sady Homrich

Era tudo muito difícil, a literatura que havia era dedicada à grande indústria e, claro, sem internet e Google naqueles tempos… Ainda mais complicado era conseguir os insumos, ou seja, ninguém vendia malte, lúpulo e levedura em Porto Alegre. A não ser a Flora Cangeri, na Avenida Júlio de Castilhos, e uma banca na antiga configuração do Mercado Público. Era um saco malte de Pilsen aberto, vendido a granel, saquinhos de lúpulo em flor seco, já bastante velho, com aquele odor característico que lembra queijo ralado, e o fermento era o Fleischmann, para pão. Afinal, queríamos o tal Saccharomyces cerevisiae… Ainda havia outros ingredientes nas receitas, como bentonita, casca de quilaia, açúcar e alguns outros vegetais estranhos. Como não havia malte especial, a sugestão para mudar a cor da cerveja era adicionar “caramelo cervejeiro” (açúcar queimado), mas eu já comecei tostando o malte no forno e o moendo no liquidificador. Saíram boas cervejas, outras nem tanto, mas o que importa é que não desistimos!

Para mim, hoje é até engraçado ver como o “homebrewing” se tornou um dos hobbies da moda, tanto que chegou à TV. Primeiro foi o Cervejantes, onde o grão-mestre Leonardo Botto decidia o time de cervejeiros caseiros vencedor a cada episódio. Em 2017, fui jurado do reality show Mestre-Cervejeiro Eisenbahn, projeto criado por Juliano Mendes em 2010 e que, em sua 8ª edição, virou um reality que foi ao ar na TNT.

O programa reuniu nove cervejeiros caseiros de todo o país, pré-selecionados em um concurso para uma disputa acirrada para descobrir a melhor receita de American Pale Ale (APA). A vencedora foi a Three Hills, de Ivan Tozzi, já disponível no mercado. Dá para assistir aos oito episódios no canal da Eisenbahn no YouTube. Além de mostrar o que acontece por trás do mundo cervejeiro, o reality é também uma oportunidade para que talentos da cerveja caseira consigam ter o seu produto assinado pela Eisenbahn: uma marca apoiada na Lei da Pureza da Cerveja Alemã e pioneira na valorização das cervejas artesanais no Brasil.

Esse ano, o estilo é o Berliner Weisse, porém não é permitida a adição de frutas nem de Brettanomyces, um tipo de levedura selvagem. Leia o regulamento no hotsite www.mestrecervejeiro2018.com.br.

As inscrições estão abertas e vão até 28 de maio!

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