Casa de Cultura Mário Quintana, o maior e mais poético pólo cultural do centro

 Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

A história da Casa de Cultura Mario Quintana tem início em julho de 1980, com a compra do antigo prédio do Hotel Majestic, pelo Banrisul. Em 1982, o governo do Estado adquiriu o Majestic do banco e, um ano mais tarde, o prédio foi arrolado como patrimônio histórico. Tem início, então, o seu processo de transformação em Casa de Cultura. No mesmo ano, através de projeto de lei, recebe a denominação de Mario Quintana, em homenagem ao poeta alegretense, que morou no hotel entre 1968 e 1982, mais precisamente no apartamento 217. A partir disto o espaço se consolidou como o grande centro cultural da cidade, com inúmeras salas para as mais diversas manifestações culturais e áreas de convívio e lazer. Aliado a tudo isto, a sua beleza incomparável, com arcos, passarelas e vista para o Guaíba e o Delta do Jacuí.

 

Os áureos tempos do Hotel Majestic

Nos anos 30, 40 e 50 Porto Alegre começava a se consolidar como uma bela metrópole, com uma vida cultural, social e política muito intensa no centro da cidade. A arquitetura dos prédios, junto com os novos costumes da população, era o que mais se destacava. E um desses destaque era o Hotel Majestic originalmente um hotel de luxo. Nesta época, teve grandes nomes entre seus hospedes: políticos, como João Goulart, e Getúlio Vargas, e muitos artistas, vindo do Rio de Janeiro e São Paulo, como Vicente Celestino, Virginia Lane e Francisco Alves. O prédio, constituído por dois blocos imponentes, era um projeto do arquiteto, alemão Theodor Wie­ders pahn, um dos mais proeminentes da época. 

Entre muitas curiosidades, o prédio foi o primeiro grande edifício de Porto Alegre em que se utilizou concreto armado. Sua concepção era arrojada, ocupando os dois lados da Travessa Araújo Ribeiro. E para interligar a construção, foram construídas grandes passarelas embasadas por arcadas e contendo terraços, sacadas e colunas. O projeto do hotel foi considerado muito ousado para a cidade, chamava a atenção por ter as passarelas suspensas sobre uma via pública, até então impensável naquela Porto Alegre que dava seus primeiros ares de metrópoles, mas ao mesmo tempo ainda tinha hábitos profundamente provincianos.

As obras tiveram início em 1916, em plena Iª Guerra Mundial. Em 1918, foi concluída a primeira parte do edifício, onde hoje está situado o acervo e o memorial da Casa de Cultura Mario Quintana. Foi somente na metade dos anos 20 que foi projetado o outro bloco.  Como era típico da arquitetura da época, o desenho do prédio trazia uma mistura de estilos históricos, dando uma impressão de grandiosidade.  Ao final da obra, em 1933, o Majestic possuía sete pavimentos na ala leste e cinco na parte oeste. O prédio foi tombado em 1990, e atendendo um clamor e aspiração da comunidade cultural, foi reformado e adaptado para tornar-se o grande centro cultural que é hoje, incluindo teatro, palcos, salas de exposições, de oficinas e vários outros espaços culturais que levam um grande público para as suas dependências.

 

Nasce o maior centro de cultura da cidade

A Casa de Cultura Mario Quintana é hoje um prédio histórico, o maior centro cultural da cidade de Porto Alegre e um dos maiores e mais bem aparelhados do Brasil. O prédio, pertencente ao Estado do Rio Grande do Sul já abrigou temporariamente diversos órgãos da Secretaria da Cultura, como o próprio gabinete do Secretário e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, MARGS, enquanto a sede do Museu esteve em reformas, no período de 1996 e 1998. Hoje são muitos espaços culturais alojados no complexo da Casa de Cultura Mario Quintana, a saber: Biblioteca Lucília Minssen, parte do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, os Acervos Elis Regina e Mário Quintana, a Discoteca Pública Natho Henn, as Galerias Xico Stockinger e Sotéro Cosme, os teatros Bruno Kiefer e Carlos Carvalho, Cinemateca Paulo Amorim, com três salas de cinema, cafés, bombonière, livraria, biblioteca e inúmeras salas com destinações específicas e outras tantas de uso múltiplo.

 

Centro Histórico, um mix cultural

O Centro Histórico também reúne o maior complexo cultural da cidade, com cinemas, museus, bibliotecas, livrarias, memoriais, teatros e centros de cultura. É neste perímetro que se encontram, por exemplo, o Theatro São Pedro, o Teatro de Arena, a sala Dante Barone, o Museu do Rio Grande do Sul (MARGS), o Museu Hypólito da Costa, a Biblioteca Pública, o Museu do Trabalho, o Museu Júlio de Castilhos, a Usina do Gasômetro, o Memorial do Rio Grande do Sul, o Instituto Cultural Norte-Americano, o Santander Cultural e a Centro Cultural Erico Veríssimo, da CEEE. E em breve, o Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, onde antes era o cinema Guarany, em frente à Praça da Alfândega, que passa por um processo de restauração.

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