Carnaval e cerveja

Gosto do carnaval. As raízes pelotenses da minha família tiveram papel importante nesse meu caráter folião. Durante muito tempo, Pelotas foi referência na festa carnavalesca, desde os tempos dos corsos que passavam na Rua XV de Novembro nas primeiras décadas do século passado, os populares “blocos de sujos”, que depois viraram sociedades burlescas, os desfiles dos clubes sociais pelas ruas da cidade e o bailes com ótimas bandas tocando os sucessos de sempre e os novos sambas de cada temporada.

 

BURGOMESTRE, por Sady Homrich

Meu tio-avô contava do seu grupo que levava um carrinho com um barril de chope para a passarela e outro com um bode cercado por folhas de couve (!) enquanto cantavam “Oi Iaiá enxote o bode, enxote o bode que me lambe as couve”… Não preciso dizer que a tradição etílica da festa é ancestral, desde os tempos do “carna vale”, festa pagã que originou a comemoração.

Meus pais mostravam as fotos das cortes dos clubes, amigos e amigas que faziam roupas iguais representando sua agremiação, uma maneira de entrar em todos os bailes, onde o lança-perfume rolava livremente. Meus avós e tios alugavam espaço na Rua XV para colocar seus bancos em lugares privilegiados para assistir aos desfiles e meu padrinho Álbio foi um folião entusiasmado até o fim da vida, aos 80 anos.

Minha estreia na passarela do samba foi com 15 anos, desfilando em vários blocos burlescos com um vestido branco e um turbante roxo. Sim, bebíamos com essa idade, com irresponsabilidade de grau médio, pois uns da turma cuidavam os outros. Se houvesse exagero contumaz todos perderiam a liberdade. Essa era a regra.

Há alguns anos, resolvi fazer uma cerveja especialmente para o carnaval. Ao pensar em qual estilo, cheguei à conclusão que uma cerveja clara levemente maltada e condimentada, com amargor refrescante, um pouco mais alcoólica e perfil aromático não muito pronunciado: Belgian Blonde Ale. Na época, havia poucas representantes nacionais, mas algumas clássicas foram meu norte, como a belga Maredsous 6 (6,0% alc) , Leffe Blonde (6,6% alc) e La Trappe Blond (6,5% alc).

Continuo curtido os desfiles e escolho algumas boas cervejas para assisti-los na TV, mas o excesso de profissionalismo tirou um pouco da vocação mambembe do carnaval. Por isso reduzi minha participação in loco a um único dia, nas Sereias da Lagoa, manifestação dos veranistas e moradores da praia do Laranjal vestidos de mulher.

Procure conhecer mais esse estilo degustando a gaúcha Seasons Funhouse (6,6% alc), que, além de água, malte e lúpulo, usa temperos como casca de laranja e sementes de coentro para realçar a experiência de sabor e aroma com uma variedade belga de levedura originária das abadias trapistas. E a catarinense Bierland Bruxa Belgian Blond Ale (7,5% alc) segue a receita do cervejeiro Ronaldo Dutra Ferreira, de Florianópolis/SC, vencedor do Concurso Cervejeiro Caseiro Bierland 2012. Ambas foram premiadas em diversos festivais.

Abraço do Burgomestre,

Sady Homrich

Que a fonte nunca seque!

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