Caminho dos Jacarandás, revitalizando a Praça da Alfândega

Em outros tempos, bondes puxados a burro se encarregavam de levar mais gente para a Praça, que vivia períodos áureos, com os mais importantes hotéis da região e o porto da cidade. Ao longo dos anos, a Praça da Alfândega passou por muitas transformações até chegar aos dias de hoje. Restaurada, a partir deste ano ganhou o módulo Caminhos dos Jacarandás para revitalizar ainda mais o local.

 

CENTRO HISTÓRICO, por Emílio Chagas

Situada no Centro Histórico, a Praça, uma das mais históricas da cidade, é cercada por importantes edificações, algumas delas igualmente históricas e antigas, como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Aldo Malagoli (Margs), o Memorial do Rio Grande do Sul, o Santander Cultural e o Clube do Comércio de Porto Alegre, só para citar algumas. A Praça está intimamente ligada à história de Porto Alegre, e, do mesmo modo que tantos outros espaços importantes, está relegada ao abandono — tanto no seu espaço físico como na sua estatuária e mobiliário urbano. Assim como o Centro Histórico em geral, o entorno está degradado e socialmente abandonado. Como dizia a arquiteta Briane Bicca, falecida este ano, “essas áreas precisam de animação”. No seu conceito, ela, que esteve à frente do Programa Monumenta em Porto Alegre, responsável pelo restauro de prédios e espaços na cidade, esses lugares precisavam de uma programação e ações de convívio para serem revitalizados inteiramente. É o que aconteceu com a Praça da Alfândega, que passou por um completo projeto de restauração concluído em 2013, mas que, posteriormente, ficou entregue à sua própria sorte. Porém no próprio Monumenta já estava prevista a instalação de novos espaços para qualificação do local, uma proposta arquitetônica para contribuir e atrair mais vida à praça.

 

Surge o Módulo de Serviços
Assim, em julho deste ano, surgiu o Caminho dos Jacarandás, uma estrutura localizada junto ao chamado “paredão” da Caixa Econômica Federal, uma ideia discutida e avaliada por todos os órgãos envolvidos com a restauração da Praça, com aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Conselho do Patrimônio Histórico Cultural (Compahc) de Porto Alegre. Coordenado pela Secretaria Municipal da Cultura (SMC), por meio do Programa Monumenta, o Módulo de Serviços Caminho dos Jacarandás foi assim batizado numa alusão aos famosos jacarandás da Praça, que florescem na primavera, anunciando a Feira do Livro que ali se realiza desde 1955. Segundo informações da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), o local passou a contar com cinco lojas na área de gastronomia, como cafeteria, pastelaria, bistrô e hamburgueria, e uma loja no segmento de joias (bijuterias e acessórios), incluindo ainda a banca do mel, instalada no calçadão da Av. Sete de Setembro, e a banca de revistas. A responsabilidade é da empresa Robson Ltda., do comerciante Robson Elias Vieira Alves, que vai explorar as lojas do segmento gastronômico por 10 anos. A empresa venceu a licitação realizada em 2016, após quatro tentativas frustradas de locação do complexo.

 

 

A importância da Praça
Tombada pelo Iphan como monumento nacional, as origens da Praça remontam ao fim do século XVIII, quando, na área em que está situada hoje, ficava o antigo porto fluvial da cidade. Em 1873, foi construído um cais de pedra junto ao então Rio Guaíba, facilitando o desembarque de passageiros e mercadorias. O porto chegou a contar com um expressivo trapiche com 24 pilares, adentrando o rio. Na época, a Praça reunia um grande número de comerciantes e quitandeiros expondo mercadorias, passando, por isso, também a ser conhecida como Praça da Quitanda. O nome atual foi dado em decorrência da Alfândega, situada no local em função das intensas atividades portuárias. Em meados desse século, foi construído um muro de pedra com escadarias junto ao rio, onde hoje está a Rua Sete de Setembro. O historiador Sérgio da Costa Franco, em seu clássico “Porto Alegre: guia histórico”, registra passagens importantes da Praça: 1883, quando passa a se denominar Praça Senador Florêncio, e 1912, quando o velho prédio da Alfândega foi demolido e feito o aterramento até onde hoje se situa o Cais Mauá, surgindo, então, os atuais prédios do Margs e do Memorial do RS. Depois, em 1933, quando surge a estátua do general Osório (do escultor Hildegardo Leão Veloso), com espelhos d’água e chafarizes, e, finalmente, em 1979, quando a Praça absorveu o leito da Rua Sete de Setembro. Hoje não se espera mais que a Praça viva momentos gloriosos como no passado — limpeza, segurança e convívio cidadão já estão de bom tamanho. E que venha a Feira!

 

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