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Camarão da safra, saboroso e seguro

Camarão da safra, saboroso e seguro

 

Todos os anos os apreciadores de frutos do mar, especialmente de camarão, vivem um momento muito esperado: a época do camarão da safra, que vai normalmente de 1º de fevereiro a 1º de maio, período em que é liberada a pesca do apreciado crustáceo. Ele vem, principalmente, de São Lourenço, Pelotas e Rio Grande e por não ser alimentado à base de ração, possui uma carne mais macia e saborosa. O sucesso da safra depende muito das condições climáticas e este ano é grande a expectativa.

 

A produção do camarão

 

Para chegar ao prato dos seus admiradores, o camarão cumpre um longo e complexo ciclo, que envolve períodos de reprodução, liberação de pesca e, principalmente, das condições climáticas e do seu habitat. Aqui, uma pequena idéia de tudo isto. A bióloga Ivone da Veiga Fausto, técnica da Ceclimar, informa que atualmente se pesquisa a possibilidade de haver duas safras de camarão. Quanto a este ano, ainda tem expectativas que tenhamos uma boa safra, com a contribuição de outras regiões, como Imbé e lagoas próximas, onde vinha se registrando uma média de 100 quilos por pescador/noite. Ela diz também que aqui, por enquanto, ainda não se conseguiu criar camarão em cativeiro nas lagoas.

Ivone, que tem mestrado na área de ecologia de camarão, com três décadas de experiência, explica que a espécie se reproduz quando adulta, no oceano. As larvas invadem as lagoas de água doce trazidas pelas correntes que, por sua vez, dependem dos ventos. Segundo Ivone, ainda não foram encontradas áreas de reprodução aqui no Rio Grande do Sul, somente no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Desenvolvidas, em 22 dias as larvas já estão aqui no nosso estuário, preferencialmente com ajuda do vento sul, quando há uma grande entrada de água salgada nas nossas lagoas – essencial para a produção do camarão. Outro fator decisivo para o fracasso da safra do camarão são as chuvas, que “lavam” as lagoas.

 

Condições ideais para a produção

Chegadas, as larvas assentam e se alimentam, enterradas no fundo do estuário. Em um período de quatro a cinco meses já estão com o tamanho comercial ideal para comercialização, ou seja, com um comprimento de aproximadamente 9cm, entre a cabeça e o rabo. “No sul registramos os períodos de maior entrada na primavera e verão, mas isto também pode ocorrer em outros períodos”, diz ela. Se as águas forem favoráveis, como nas lagoas Tramandaí ou Custódia, também pode permanecer, de um ano para o outro, porém bem enterrados. É o chamado camarão-lixo, que fica de um ano para o outro, podendo chegar a 16 cm de comprimento, mas não pertence ao chamado camarão da safra. Ivone informa que se chover perde-se o camarão e para que ele cresça é preciso que o estuário tenha boas condições, como alimentação em abundância, temperatura e profundidade adequadas.

                                                                                                                             Fotos: Ivone de Veiga Fausto/arquivo pessoal 

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