Bola, som e cerveja

Há sete anos, quando anunciaram que a Copa do Mundo Fifa seria na Rússia, lembrei da reação que tive anos antes quando anunciaram a Copa no Brasil, quando coloquei as mãos na cabeça e esbravejei por pensar numa lista de 1 a 100 nas prioridades nacionais, na qual certamente não figuraria a Copa. Será que a população russa está de acordo com o direcionamento dos gastos?

 

Bem, muito se falou sobre usos e abusos do poder público em nome do acordo firmado com a Fifa, entidade mundial toda poderosa que comanda ditatorialmente o futebol mundial, que há tempos deixou de ser prática desportiva para tornar-se high business, servindo a outros interesses. Deixando um pouco a crítica de lado, eu gosto de futebol e estou vendo bons jogos e muitos gols nessa Copa, torcendo para que o bom futebol vença, de preferência se for o nosso.

Sou do tempo em que jogadores de futebol não eram atletas. Nem tinham a pretensão de dar exemplo, eles queriam jogar bola e virar heróis. Aqueles ídolos que fumavam, bebiam, apostavam e masturbavam-se no intervalo dos jogos eram muito mais humanos do que os “bola de ouro” de agora.

Com certa ingenuidade, faziam aparições e comentários que, nos dias de hoje, provocariam milhões de comentários nas redes. Por exemplo, o craque Mané Garrincha, ponteiro direito, ao ver Nilton Santos comemorando o primeiro campeonato mundial em 1958 na Suécia, comentou: “Que torneiozinho mixuruca”, pois ficou muito desapontado ao saber que não haveria nem segundo turno!

As estrelas do futebol da época ganhavam fração das cifras praticadas hoje nos primeiros escalões e se entregavam muito mais dentro de campo, conquistando o respeito e a admiração da fatia mais humilde da população, hoje afastada dos estádios pelo alto valor dos ingressos. Viravam ídolos e gravavam discos. Muitos. Valem mais por curiosidade do que como peça musical, numa lista que inclui os selecionáveis Jairzinho (Copas de 1966, 70, 74), Junior (82, 86), Marinho Chagas (74), Sócrates (82, 86), Fagner & Zico (78, 82 e 86), Nunes, Raul e Serginho Chulapa.

Na imperdível “Vexamão”, de Pelé (58, 62, 66, 70) com Elis Regina, gravada em 1969, comprovamos que Romário tem razão e de boca fechada o rei é um gênio. Ídolos estrangeiros também se arriscaram: o zagueiro Figueroa (do Chile, 66, 74 e 82) e até o Maradona (da Argentina, 82, 86, 90 e 94) arriscaram cantar em português! Escute em http://globoesporte.globo.com/bau-do-esporte/tocaabola.html  Clique em “Vitrola” que vale a pena!

Falta a cerveja! Sugiro procurar uma de cada país semifinalista e fazer uma Copa de cervejas particular!

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