BOLA SETE: TRAZENDO O MUNDO NAS MANHÃS DE SÁBADO

BOLA SETE: TRAZENDO O MUNDO NAS MANHÃS DE SÁBADO

 

Rodar músicas do mundo inteiro, na língua de seus intérpretes, e principalmente aquilo que está fora do eixo Estados Unidos/Inglaterra: essa é a proposta do Avenida Mundi, programa apresentado por Alexandre “Bola Sete” Brum nas manhãs de sábado da Ipanema. “A ideia do Avenida Mundi surgiu da vontade de conhecer aquilo que existe”.

 

“Porto Alegre tem hoje o quê? Em torno de um milhão e 700 mil habitantes? Se tu imaginar que qualquer cidade, em qualquer lugar do mundo, com um milhão e 700 mil habitantes, tem uma produção cultural semelhante à de Porto Alegre, em quantidade, então tem muita coisa sendo feita pelo mundo”. Foi esse pensamento que impulsionou Bola a criar o espaço musical diverso e abrangente que é o Avenida Mundi. Amante da música desde cedo, a primeira vez que esteve frente a frente com um microfone foi nos anos 80, no já extinto Clube do Ouvinte, da própria Ipanema, programa que era apresentado por ouvintes semanalmente. “Fiz amizades dentro da Ipanema, e comecei a pesquisar música feita pelo mundo inteiro. Isso, claro, veio com o advento da internet, que deu essa possibilidade de pegar o que estava rodando pelo mundo”, destaca Bola, que foi profissional da informática na antiga Caixa Econômica Estadual durante cerca de 15 anos, até o início dos anos 90. Apesar de sair do ramo, a internet lhe trouxe novas idéias, como a de procurar a produção musical pelo mundo. “Mostrei isso ao Alemão Vitor Hugo, em outubro de 2000, que achou legal, e acabamos criando o Ioiô.Net”. O programa semanal falava de tecnologia, informática, internet, e, claro, de músicas internacionais. “Independente do estilo ou da época em que tinha sido feita, mas que fosse feita em algum lugar fora do eixo Estados Unidos/Inglaterra e cantadas pelos intérpretes em suas línguas originais”. O Ioiô.Net foi o embrião para o Avenida Mundi. Em 2002, Bola entrou na FM Cultura com o programa diário Avenida Cultura, na mesma linha musical. Ele manteve os dois programas no ar até novembro de 2008, quando saiu da Ipanema, de onde estaria distante por um ano. “Acabei retornando com esse projeto. Resolvi tirar o programa da FM Cultura e levar para a Ipanema”. Em novembro de 2009 o Avenida Mundi chegava à Ipanema, rodando todos os sábados, das oito às dez da manhã.

 

A diversidade do Avenida Mundi

O playlist do programa é bem variado: músicas vindas da França, Rússia, Bélgica, Turquia, Itália, Argentina e Marrocos podem aparecer no mesmo dia. “A escolha é, vamos dizer, uma coisa bem intuitiva”. Bola conta que às vezes chega numa banda através do perfil de alguém com que tem um gosto em comum. “Aí vou nas coisas que ele tem disponibilizadas e vou procurar aquilo que eu não conheço”. Ele acredita já ter rodado pelo menos uma música de cada país, e trabalha atualmente com 900 músicas, cerca de 24 em cada programa, entre três e doze delas novas a cada semana. Além das músicas, Bola passa informações sobre os artistas e o país de origem de seu arquivo de 1500 páginas, pesquisa constantemente atualizada. “Acho que a coisa gira em torno do inusitado, que traz a ideia, a lembrança daquilo que a pessoa conhece, com uma cara nova, com uma língua nova, num sotaque novo”, ressalta. Bola comenta que algumas músicas do Avenida entraram para a programação geral da Ipanema, que abriga produções que vão da variedade global do Avenida ao local do estado.

 

Incentivo a conhecer o novo

No seu arquivo pessoal estão cerca de 200 mil músicas, muitas delas ainda por ouvir. Às vezes um grupo tem uma ou duas músicas interessantes para o Avenida, e às vezes uma música pouco interessante pode levar a um grupo com uma produção legal, destaca Bola, que tem presente esse movimento de ouvir o novo sempre. E a ideia do programa é incentivar os ouvintes a também procurar na internet o desconhecido. O retorno tem sido positivo, e uma das coisas que mais empolga Bola no trabalho com o rádio é a resposta quase imediata do público. “O trabalho é avaliado na hora, ainda mais na Ipanema, onde o ouvinte é presente. Se tu disser uma bobagem na Ipanema, dá dois segundos e está tocando o telefone”, se diverte. Entre suas preferências musicais estão os franceses de Louise Attaque, a banda italiana Tre Allegri Ragazzi Morti, em especial a música “La Salamandra”, Davy Sicard, de Reunião (ilha próxima à Madagascar), a já extinta banda portuguesa Ala dos Namorados, além do blues húngaro e polonês.

A música trazida pelo Avenida Mundi é diversa nos ritmos, idiomas e cultura, e a idéia do Avenida faz parte do pensamento de Bola: “O meu grande sonho, que seria o top da minha carreira no rádio, é parar numa sinaleira, fora do horário do programa, e o cara do carro ao lado estar ouvindo alguma coisa feita pelo mundo inteiro – ouvindo música em espanhol, polonês, alemão, italiano, chinês… Isso eu acho que vai ser o máximo na minha carreira no rádio, ou seja: criar cultura. Sinto vontade de fazer isso, e acho que é isso que procuro fazer”.

 

Foto: Letícia Garcia 

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