Bebeto Alves: “Eu sou um curioso pelo Mercado. Esse espaço sempre foi de grandes descobertas”

O músico, nascido em Uruguaiana, veio para Porto Alegre em meados dos anos 1970. Do folk à milonga, o rock de Bebeto Alves sempre passeou pelos mais diferentes gêneros musicais. Esses ares de curiosidade e descoberta que acompanham a sua arte também andam lado a lado com ele nas suas idas ao Mercado Público. A convite do JM, Bebeto voltou ao MP e nos falou sobre sua carreira e a relação que tem com o local.

Foto: Fabiane Pereira

 

Desde que saiu da fronteira do RS, Luís Alberto Nunes Alves, ou Bebeto Alves, já fez de tudo um pouco. Gravou mais de duas dezenas de álbuns. Morou nos Estados Unidos, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e, hoje, reside em São Leopoldo. Já viajou o mundo tocando e também realizou produções audiovisuais. Fez inúmeras parcerias, e segue fazendo. Já exerceu funções em cargos públicos, sempre ligados à cultura. Já fundou uma cooperativa de músicos. Já trocou o fígado e montou uma banda depois dos 60. Atualmente, está lançando “Canção contaminada”, disco todo voltado para o rock “como nunca tinha feito antes”.

“É um tempo de uma atuação não só artística, mas também de um ativismo cultural que foi se constituindo ao longo dos anos. Porto Alegre me possibilitou e motivou em muitas coisas. Além disso, foi um trampolim para mim para vários outros lugares e também para eu sedimentar a minha proposta”, diz Bebeto. Além de todas as influências nacionais e internacionais, a música regional, com o tempo, se tornou uma das principais vertentes da sua arte. “Achava estranho a música regional e seus costumes. Quando fui entendê-la e me dei conta de algumas coisas, percebi que a gente só pode se expressar, criar uma coisa original, entendendo um pouco da nossa cultura e trazendo isso à tona”, diz.

 

“O Mercado proporciona uma sensação de pertencimento”

Durante suas viagens, Bebeto teve a oportunidade de visitar inúmeros Mercados Públicos no Brasil e no mundo. “Lembro do mercado da Bahia e do de Barcelona, na Espanha. Em comparação com os demais, o Mercado de Porto Alegre tem mais espaços de fruição, de gastronomia e entretenimento. Grande parte dos que visitei é mais voltado para o comércio, do que exatamente um espaço de convívio. ” Admite não ser um frequentador assíduo do MP, mas se considera um curioso pelo Mercado. “Eu sempre atravesso o Mercado, utilizo ele como caminho e aproveito para parar em algumas bancas e comprar coisas, principalmente essas lojinhas de produtos naturais”, diz.

Foto: Fabiane Pereira

Bebeto enxerga o Mercado como o coração do centro de Porto Alegre. “Eu acho que qualquer coisa que estabeleça uma relação de convívio é um lugar substancial. Por isso, eu vejo o Mercado como um coração no centro da cidade. Há outros pontos históricos por aqui, mas, no Mercado, existe toda essa relação com coisas do teu passado que remete também à constituição do teu futuro. Isso gera um pouco de orgulho e conforto. Eu entro e me sinto confortável aqui dentro, me sinto protegido; uma sensação de proteção que em outro lugar eu não tenho”, diz.

 

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