Bar e Restaurante Essencial, referência em cerveja artesanal no Mercado — e no Centro Histórico

Rodrigo Tomasel está há 19 anos no Mercado Público, com o mérito de ser o pioneiro em cervejas artesanais com o seu bar e restaurante Essencial, hoje o espaço mais concorrido e diferenciado para almoço e happy hour no local. Praticamente único do gênero no Centro Histórico, o lugar atrai um bom público diariamente, qualificando a clientela do próprio Mercado.

 

 

CENTRO HISTÓRICO, por Emílio Chagas

Quando ele começou, em 2000, era a pastelaria Nova Vida, que pertencia a um chinês. Cinco anos depois, passou a trabalhar com chope comum, de alta rotatividade. Em 2009, partiu para as inovações, servindo chopes artesanais engarrafados, com dezenas de rótulos. “Depois, com o incêndio (julho de 2013) aproveitei a oportunidade que o negócio estava crescendo — eu era o único do Mercado Público, e me voltei exclusivamente para o chope artesanal. Até então, eu também trabalhava com as cervejas mainstream (grandes marcas), em paralelo com a artesanal.”

No meio do caminho, teve alguns percalços: o bar ficou 17 meses fechado por conta de embargo do patrimônio histórico do município, por interferências no prédio e por causa das obras e mudanças que decidiu fazer no local. Reabriu, finalmente, em 2014, no formato em que está hoje — um espaço voltado para restaurante e choperia, referência em cerveja artesanal no Centro. Hoje o espaço está consolidado, mas Rodrigo lembra que a aceitação, no começo, foi difícil. Na mudança de linha do bar, ele acreditava que a troca dos clientes seria em torno de 40%. Mas, na verdade, foi de 90%. “Reabri com uma quantidade de 10 funcionários e em três meses eu estava com seis. Aos poucos, fui retomando, passando a ter movimento. Hoje voltei a ter 10 funcionários. A mudança foi mais impactante do que eu imaginava. Fiquei muito tempo fechado, um ano e cinco meses, a clientela se perdeu. Recomecei do zero, com novo público, novo produto, novos atendimento e serviços”

 

Clientela especializada e entorno
Mas valeu a pena. Hoje diz que, felizmente, é uma das casas do Mercado que consegue atrair clientes de fora. “Antigamente eu tinha aquele cliente que passava aqui na porta, ou que vinha ao Mercado fazer compras, aproveitava e passava aqui para comer um pastel e tomar uma cervejinha. Hoje não, eu já tenho gente que entra no Mercado Público por causa do Essencial: consigo agregar valor e cliente ao Mercado.” Os clientes, diz, chegam de todas as partes do Centro, inclusive de diferentes bairros. Como nos outros bares e restaurantes do MP, o movimento se intensifica quando se aproxima o fim de semana, mas, durante o dia, o almoço e o happy hour são os horários campeões da preferência do seu público.

“Tenho um cozinheiro e dois auxiliares só para a produção do almoço — está indo bem. E um detalhe: 50% das refeições são acompanhadas com chope.” Conta que os clientes hoje já conhecem cervejas artesanais e pedem sugestões de pratos para acompanhamento. Seu público é relativamente diverso: tem uma boa faixa etária de clientes de 18 a 30 anos, outra acima dos 50. Mas a grande massa mesmo, afirma, é aquela que está entre 30 e 50 anos. Envolvido há praticamente duas décadas com o Mercado, diz que “vai morrer defendendo ele”, mas que o velho patrimônio dos gaúchos passa por fases, tem altos e baixos — às vezes está bom, às vezes médio, e outras, melhor. Considera infraestrutura e segurança os pontos que merecem mais atenção.

Já em relação ao Centro Histórico, o seu território, é mais crítico: “Está precário, um terror. Estou aqui há 19 anos e nunca vi tanto morador de rua e ambulantes nesse tempo todo. Isso atrapalha o trânsito, o mercado formal, está um abandono total. Eu gostaria que o Centro voltasse a ser a principal zona de boemia de Porto Alegre, como foi há 60 anos”. Para recuperar a região, sugere mais segurança, iluminação e opções de transporte noturno: “Depois de uma certa hora, o Centro morre, fica jogado às traças”, conclui.

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