Bancas reabrem em espaço provisório

Bancas reabrem em espaço provisório

 

Quase nove meses após o incêndio que atingiu o Mercado em julho de 2013, as bancas mais atingidas do segundo piso vão voltar a receber seus frequentadores e amigos.

 

Os restaurantes Mamma Julia, Sayuri, Taberna 32, Telúrico, o Bar 26 (Atlântico) e a sorveteria Beijo Frio reabriram suas portas dia 27 de março, na instalação provisória construída no Espaço de Eventos, quadrante 4, no térreo do Mercado. O espaço da confeitaria Casa de Pelotas permanece temporariamente fechado. As bancas são dos quadrantes mais atingidos pelo incêndio, e desde então trabalham para voltar provisoriamente, enquanto aguardam a restauração do segundo piso. O projeto da instalação provisória foi feito pelo arquiteto Teófilo Meditsch, que trabalhou na reforma do Mercado, e teve execução do engenheiro Régis Pegoraro. A instalação teve investimento dos próprios mercadeiros, que passou dos R$ 200 mil, conforme informa Francisco Nunes, proprietário do Sayuri e à frente da comissão dos permissionários atingidos pelo incêndio. As obras foram concluídas em fins de 2013, e os meses seguintes foram de espera pelas vistorias e adequações necessárias à abertura.

 

Vistorias e liberação

 

A vistoria do espaço pelo Corpo de Bombeiros foi feita dia 22 de março, com a verificação de alarmes, sinalização, extintores e dos demais itens de segurança contra incêndios. Novas vistorias das secretarias da prefeitura, de Indústria e Comércio (Smic), Obras e Viação (Smov) e de Saúde (SMS), foram feitas na sequência, no início da semana. “Foi um trabalho muito árduo para chegar até este momento, é uma expectativa muito grande”, observa João Alberto Cruz de Melo, do Restaurante Gambrinus, vice-presidente da Associação de Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc). “É um espaço provisório, mas aqui já vai dar um alento a quem estava parado”. A liberação foi recebida de braços abertos pelos mercadeiros, que aguardavam há meses a volta. “É o momento de a gente começar a trabalhar de novo, ter o contato com os clientes e, logicamente, entrar um dinheiro em caixa, que estava faltando para todos”, ressalta Francisco, do Sayuri. “E é sempre um ‘começar’: um espaço diferente, reduzido. A gente tem que se adaptar”, completa.

 

Instalação temporária

 

Neste espaço provisório, cada banca tem cozinha e balcão individual, sobre a qual está instalada uma coifa para coletar fumaça e resíduos de gordura, conduzidos por um duto para fora do prédio – tudo para não prejudicar a circulação interna. Cada estabelecimento tem cerca de 20 m². As bancas vão atender aos clientes num espaço comum de mesas, com mais de 200 lugares. Nove ventiladores e circuladores garantem o arejamento do espaço. Devido à área reduzida, cada estabelecimento vai trabalhar com seus melhores pratos. Exemplo é o Bar 26, que reduziu o cardápio em 70%, mas promete manter a qualidade e trazer algumas novidades.  “Vamos lançar aqui o pão com banha, o bauru ao prato e o pastel de charque”, adianta Cláudio Adam, sócio-proprietário. Mesmo nervoso com o recomeço, ele comemora: “É como a gente nascer de novo. Isso aqui para nós não é trabalho, é nossa casa”. E os fregueses fiéis são presença confirmada, como é o caso do aposentado Sirone Vargas de Oliveira, de 71 anos. “Com certeza vou voltar a frequentar a Taberna 32. A gente freqüentava há bastante tempo, e lógico que hoje a gente se surpreende, não é aquela coisa antiga como lá em cima. Mas tomara que isso volte à realidade novamente”, diz.

O Sushi Seninha e o Açougue Duarte, com frentes para a Av. Júlio de Castilhos, que estavam interditados, também receberam vistorias e devem abrir ainda em março. No seu mês de aniversário, Porto Alegre recebe de presente a volta dessas bancas, que fazem parte da história do Mercado e da cidade.

 

Foto: Letícia Garcia

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