Banca 40, tradição e renovação

 

Centro Histórico, por Emílio Chagas

 

Fundada em 1927, a Banca 40 é uma das mais tradicionais do Mercado Público, passando de geração a geração, conservando o hábito de saborear os seus famosos sorvetes caseiros e saladas de frutas.

Foto: Emílio Chagas

 

A banca começou, na verdade, como uma fruteira, passando a fazer sorvetes e saladas de frutas posteriormente. Aos poucos, foi ganhando contornos de uma sorveteria e lancheria. O fundador, Manoel Maria Martins, ficou à frente do negócio durante anos. Depois de seu falecimento, o filho assumiu a banca, mas também faleceu. Então, a nora de Manoel, Maria Madalena de Melo Martins, entrou em cena, assumindo o comando. “Em 2011, a dona Madalena não estava mais interessada em tocar o negócio. Então adquirimos a banca”, conta João Carlos Bonnel Júnior, sócio-gerente. Sob nova direção, a Banca 40 mudou substancialmente na sua estrutura, “principalmente na forma de produzir os alimentos, com novos equipamentos e cuidados na manipulação. Fomos a segunda loja do Mercado a ter o certificado do Programa de Alimento Seguro (PAS). Investimos em uma nova cozinha, mais funcional, com um outro layout, limpeza dos produtos, para ter um controle mais rigoroso”, registra Júnior, como é mais conhecido.

No mais, tudo continuou como era, ou seja, foram mantidos os produtos que deram fama para a banca, como a Bomba Royal (criada na época da II Guerra Mundial), a banana split e as saladas de frutas com nata.

 

Principais mudanças

Outra mudança significativa: a partir de 2011, a 40 passou a ter almoço, dentro do seu estilo de comidas leves: filé de frango e salada, escondidinhos com fruta e de filé. “Criou-se uma nova identidade ao meio-dia aqui na banca. Também introduzimos novos sanduíches, como o tipo paulista, de mortadela Ceratti, que tem muita saída, além do sanduíche da casa, com batatas Ruffles – simples, mas muito bom”, diz Júnior. Fiorindo Alves de Miranda, com 37 anos na banca (desde 1979), lembra que antes predominavam apenas os cheesburguers e filé. “Peguei o tempo antigo, antes da reforma. A mudança foi muito grande. Era tudo diferente, hoje está bem melhor. A banca agora tem mais espaço e muito mais movimento. Aqui só trabalhamos com produtos de primeira linha. A gente paga mais caro, mas a fruta é boa. E antes tinha oito tipos de sorvetes, hoje são 22 sabores e um buffet com 17 sabores.” Como nos velhos tempos, o público continua variado, “de todas as classes sociais”. Nos fins de semana, predominam famílias, com muitas crianças. No período do verão – janeiro, fevereiro e março –, a banca é muito procurada por turistas, informa Fiorindo. Marca tradicional e muito respeitada na cidade, desde o fim do ano passado a Banca 40 também está instalada no bairro Moinhos de Vento, região nobre de Porto Alegre, na charmosa Rua Padre Chagas.

João Carlos Bonnel e Florindo Alves Miranda

“Para o futuro, talvez uma franquia, por que não? O importante é que foi dado o primeiro passo”, conclui Júnior.

 

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