Bagre Fagundes: “Sou um alegretense nascido em Uruguaiana

“Sou um alegretense nascido em Uruguaiana”

 

Bagre Fagundes


Euclídes Fagundes Filho, mais conhecido como Bagre Fagundes, é um folclorista, músico, compositor e cantor brasileiro de música regional gaúcha. Nascido em Uruguaiana, mas criado no Alegrete, iniciou a carreira musical apresentando-se em programas da Rádio Fronteira de São Borja. Ainda adolescente, comprou uma gaita do irmão Aldo, com a qual comporia, anos mais tarde o Canto Alegretense, uma das canções mais populares do RS. Tem quatro filhos, entre eles os cantores Neto Fagundes e Ernesto Fagundes.

 

     Sempre que eu posso destaco aqui ou fora do Rio Grande as nossas atividades da Semana Farroupilha, com muito carinho e respeito, principalmente por aqueles que começaram este movimento tradicionalista. Acredito que eles mesmos não poderiam ter a visão de que aquilo que  estavam criando, levando vaia de bombachas, de alpargatas no centro de Porto Alegre, seria um movimento tão grande que extrapolou Porto Alegre e o pais. O movimento tradicionalista gaúcho se esparramou pelos quatros cantos deste planeta, com inúmeros CTGs por todo o Brasil. Há, inclusive, a Confederação Brasileira do Tradicionalismo. Aliás um dos presidentes da Confederação foi recentemente assassinado, o coronel Celso Soares, um grande líder nacional do tradicionalismo. Eu vejo esse movimento aqui como uma confraternização quase familiar, para mim que venho lá da fronteira, hoje radicado há quase 20 anos em Porto Alegre. Eu sou um alegretense nascido em Uruguaiana. Sou Cidadão de Alegrete e também Cidadão de Porto Alegre. Outro grande orgulho meu é que sou Conselheiro do S.C. Internacional, um conselheiro campeão do mundo pela FIFA.

     O Movimento Tradicionalista juntou o pessoal do campo, das Missões, da zona sul, da Serra num extraordinário movimento cultural, histórico, resgatando a imagem dos nossos heróis, do movimento revolucionário de 35. Cultuamos essas figuras com muito respeito, porque somos descendentes deles. Eu lembro a vocês que todos os estados da Federação têm hinos, mas eles não cantam. Se surpreendem, porque aqui qualquer criança do primário canta. Eu cantei o nosso hino na inauguração do novo aeroporto e o presidente Fernando Henrique Cardoso ficou surpreso, comentou com o Nelson Marchezan que notou que as pessoas botavam a mão no coração. E outra coisa que nos diferencia é que o Rio Grande é o único estado que quis ser brasileiro. Era para a gente ser castelhano. Nós “peleamos” com os imperiais pelos nossos interesses políticos, econômicos, regionais. O ditador argentino Rosas ofereceu dinheiro, armas e homens para os farroupilhas e o David Canabarro, que era uma espécie de ministro das relações exteriores, disse: “O primeiro dos soldados de Vossa Excelência que ousar a cruzar as fronteiras do Rio Grande vai fornecer o sangue com o qual farroupilhas e imperiais vão assinar a paz!”

     Eu entrei no movimento naturalmente por influência dos meus irmãos, Darci e o Nico, Antonio Augusto Fagundes, que foi o mais novo patrão do CTG 35. O Nico era estudioso do folclore, professor de antropologia, grande poeta, doutor em folclore, estudou candomblé, a formação da nação indígena, o que ele menos é, é advogado. É uma monstruosidade o conhecimento dele. Desde muitos anos sou freqüentador do Mercado Público. Hoje ele se apresenta como um cartão de visita, muito bem organizado, as bancas sortidas. Sou Bagre, mas gosto de comer um peixinho… Outro dia me babei comendo uma tainha na telha num restaurante do Mercado. Parabenizo o pessoal que trabalha lá, sou freqüentador e deve ser estimulada a presença das pessoas lá até pela tradição histórica que ele representa. Pode ver que a própria formação do acampamento Farroupilha em muito se assemelha ao Mercado. Tem uma parte de comida, bebida, pilchas. O Mercado presta um serviço à causa tradicionalista na sua organização.

 

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