Aves no Mercado

Houve um tempo em que aves vivas eram comercializadas no prédio. Galinhas, codornas, entre outros eram vendidos para preparos na cozinha, para criação ou para integrarem a casa como animais de estimação.

Foto: freeimages.com/Ricardo Resende

 

As aves estão na memória de muitos mercadeiros que cresceram no prédio. João Alberto Cruz de Melo, do Gambrinus, lembra que eram vendidos pintos e galinhas, que muitas vezes escapavam das gaiolas e se espalhavam pelo Mercado. “Tinha que correr atrás pelos corredores. Era muito engraçado e divertido!”, conta. Mas destaca que prefere o Mercado de hoje, mais organizado, limpo e seguro. Claro que essa qualificação veio com o avançar dos tempos – desde sua fundação até por volta dos anos 1920, quando não havia refrigeração, as aves eram vendidas vivas para facilitar as boas condições da carne. Os clientes compravam principalmente galinhas para preparar em casa. Sérgio da Costa Franco registra que elas eram mantidas em gaiolas de sarrafo, chamadas “capoeiras”, e que, nos primeiros tempos, os incêndios eram mortais para a maior parte delas. No maior dos sinistros, de 1912, havia centenas de galinhas nos chalés de madeira do pátio interno, atingidos em cheio. “Se não fosse a providência de alguns abnegados, que enfrentaram o calor do fogo para libertar as aves em perigo, todas teriam sido assadas implacavelmente”, escreve Franco. Mesmo depois da chegada da refrigeração, muitos continuaram comercializando aves, mas então com objetivos diferentes. Arnelio de Paoli, o seu Arno, começou com sua agropecuária em 1977, também vendendo animais, incluindo pombas, periquitos e canários: grande parte da freguesia era de compradores de passarinhos e alpiste. Também Gilmar Giovanaz, da Banca 33, lembra da época em que ia trabalhar com o tio, Reni Groff, na mesma banca em que está agora – quando ela era um ponto de encontro dos “passarinheiros”. Os pássaros vendidos pelo tio, em especial caturritas, eram guardados na casa de Gilmar. Arno conta que a venda nas bancas parou por dois motivos: o IBAMA impôs condições mais rígidas para o comércio de aves e o cheiro dos animais passou a incomodar os clientes. Assim as vendas foram, aos poucos, terminando.

 

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