As relações

Há 148 anos, o Mercado Público ilustra Porto Alegre com sua beleza e mercadorias únicas. Como símbolo de respeito e admiração, há 10 anos o Jornal do Mercado vem mostrando um pouco de sua riqueza. Durante este tempo, várias histórias foram escritas e relações, construídas. 

Elisa Gehrke
A história do Mercado Público se confunde com a de seus visitantes. Elisa, desde os quatro anos, anda pelos corredores do prédio à procura de algo diferente, mas sempre com o mesmo carinho. Hoje, aos 57 anos, enxerga com deslumbre todas as mudanças que presenciou. “No início eu vinha com meu pai ou minha mãe. Acompanhei as reformas que ocorreram com o passar dos anos. Hoje o Mercado parece um shopping”, diz. Frequentadora assídua, quando não vai às compras faz questão de fazer dos corredores do Mercadão o seu caminho do dia a dia: “Eu venho quase toda semana fazer compras. Ou então, às vezes, atravesso aqui por dentro para chegar onde quero, de tanto que gosto daqui”, destaca.

Acredita que o lugar, além de ser um espaço para venda de uma variedade de produtos, também é um intercâmbio cultural de pessoas. “No Mercado eu convivo com muitos tipos de pessoas. E isso não é apenas em eventos grandes, como a Copa do Mundo. A rotina daqui proporciona isso.” Ela ainda acredita que o JM é uma importante ferramenta para mostrar, cada vez mais, toda a diversidade do Mercado e da cidade de Porto Alegre.

Cláudia Klassmann e Vani Quadros
Entre as andanças do dia a dia, as amigas Cláudia e Vani, ambas de Novo Hamburgo, encontram no Mercado o aconchego que não existe em qualquer lugar. “Gostamos muito daqui. Encontramos tudo o que procuramos. Nós sempre visitamos.”

As visitas nem sempre são possíveis, mas os olhares são atentos aos detalhes, principalmente para o Jornal do Mercado. “É muito importante o Mercado ter o JM. Você pode levar para a casa e apresentar o Mercadão para as pessoas que não o conhecem. Quem conhecer o jornal já vai ter aquela curiosidade para visitar este patrimônio”, diz Cláudia. Quase na hora da despedida, Cláudia ainda fala em nome de muitos dos visitantes. “ O Mercado Público precisa ter um jornal e ele não pode acabar nunca. O Mercado tem que ser restaurado, renovado e tudo que for necessário”, finaliza.

Emerson Valença e  Dafne Valença
O passeio pela Feira de Vinil virou entrevista para os irmãos Emerson, de 20 anos, e Dafne, de 19 anos. Não somente a música, mas também a opinião sobre o Mercado aproxima mais ainda os jovens. “ O Mercado é uma união histórica: ele tem uma relação com a cidade, porque ela cresceu em volta dele. Porto Alegre não é Porto Alegre sem o Mercadão”, diz Emerson.

Já para Dafne, o que realmente toca é a saudade. “Apesar de eu não conviver mais tanto tempo aqui dentro, eu passei parte da minha infância aqui. Sempre vinha com a minha vó e nós comíamos picanha na tábua. É muito nostálgico visitar e ver tudo de novo como eu via na minha infância. Faz parte da minha cultura passar por aqui”, diz.

Como agradecimento, ambos deixam o seu recado: “É muito bom poder ver o que tem nas bancas antes mesmo de entrar. É muito mais fácil o acesso e por isso o Jornal do Mercado é tão importante para o Mercado”.

COMENTÁRIOS