As mães pelo olhar de seus filhos

 

DIA DAS MÃES

As mães pelo olhar de seus filhos

 

Maio, mês das mães. Momento de demonstrar todo o amor por quem nos deu a vida, dedicando-se a nos criar e educar. Muito além de se lembrar de um presentinho, é a hora de retribuir toda a sua dedicação e amor. Mas, claro, sem esquecer do presente – e no Mercado são muitas as opções. Aqui, breves declarações de amor de filhos mercadeiros.

 

 

        “Amo minha mãe e todas as mães do Brasil”

       Ele saiu de casa, de Santo Antonio da Patrulha, com 17 anos. Só não saiu antes porque sua mãe, Eva Nilda dos Santos Adam, pediu muito para que ele ficar mais um tempo. “Aí vim para Porto Alegre, sem conhecer ninguém”, diz Cláudio Adam, 36 anos, sócio-gerente do restaurante Marco Zero, um dos mais concorridos do Mercado. Começou no antigo bar Trensurb “lavando panela, limpando chapa. Depois, fui indo, fui indo”, diz. E indo numa direção de crescimento: logo comprou o bar Taberna e tornou-se sócio do Marco Zero, ambos nos altos do Mercado. Porém, mesmo com uma trajetória vencedora, Cláudio tem bem claro que não seria nada se não fosse a sua mãe.

        “O que é que minha mãe representa para mim? Representa toda a minha vida, na verdade. Porque se não fosse ela eu não estaria aqui. Ela é uma jóia que não vou encontrar em lugar nenhum. E é um amor verdadeiro”, diz Cláudio que ainda tem bem claras as lembranças de infância e adolescência que passou junto com a família. Como as dificuldades e os esforços dos pais, onde a mãe teve um papel fundamental na criação e educação dos sete filhos, seis homens e uma mulher. “Olha, a gente passou muito trabalho. Não passou fome porque tudo o que ela podia fazer pela gente, ela fez. E ela passou frio, não tinha luz, não tinha tanque, ela lavava a roupa na água, no chão”, recorda. Com a imensa paciência de mãe, levou com tranquilidade as travessuras dos filhos e não guardou nenhuma mágoa ou raiva. Para ele, mãe é sagrada: “Ela gera, cuida, protege e, em último caso, deixa de comer para dar para o filho dela. Eu dou muito valor à minha. Porque tem pessoas que não dão valor, aí vão querer dar valor depois que ela vem a partir. Tudo o que eu puder fazer pela minha, eu vou fazer. Estou fazendo, e vou continuar fazendo”.

 

 

       Flores e agradecimentos para a mamãe

       Por todas estas coisas Cláudio está sempre visitando sua mãe. “Tu pode estar aborrecido e tu vai para lá, e lá tu esquece tudo, estando do lado dela. Ela conversa contigo, xinga – se tiver que xingar, ela me xinga até hoje ainda”, diz. De uma coisa Cláudio tem certeza: não tem preço que pague o valor de uma mãe. E esta consciência, afirma, tem que ser constante. “Na verdade a gente nunca esquece de uma mãe. Embora tu tenha momentos bons, tenha momentos maravilhosos, mas todo momento que eu passei com a minha mãe, e passo, é uma coisa que eu nunca vou esquecer. Para o dia dela, Cláudio pensa em flores muito bonitas e palavras de carinho. E de agradecimento: “Obrigado, mãe, por tudo. Por ter me gerado, me ensinado, e me feito ser um cara digno e de respeito. Se não fosse ela eu não estaria aqui”.

 

 

       Suprindo o afeto pela perda precoce da mãe

       Jailson Brasil Almeida, 34 anos, trabalha no Armazém do Mercado há cinco anos. Para ele, o dia das mães traz lembranças não só de sua mãe, mas também da antiga sogra, ambas falecidas. E é com muita emoção que conta um pouco da sua história.

        “Meu ex-sogro é meu gerente, trabalha aqui na loja. Quando casei com a filha dele, acho que eu tinha perdido minha mãe há uns três anos. A partir daí criei um laço meio materno com ele e com a falecida esposa dele. Para mim ela foi como uma mãe: ela supriu a ausência da minha, em termos de afeto. Minha mãe se foi muito cedo, e eu não tinha esse tipo de carinho”, diz Jailson. Lembra da infância, quando teve um pouco menos de carinho de pai e mãe. Ele revela que foi ter um pouquinho mais de afeto a partir do momento em que começou a namorar a filha do seu gerente. “Essas coisas como dar beijo no filho. Mas a minha mãe fazia falta, eu tinha 14 anos quando ela faleceu. A partir daí comecei uma nova vida”.

 

 

       Afeto para os filhos: fundamental

       Para Jailson a “nova família” foi fundamental, num momento difícil. “A mãe, na verdade, é o alicerce que segura a casa; onde isso cai, essa viga que fica no meio, desmorona tudo na tua cabeça. Se tu não tem uma estrutura, quando tu perde, tu cai”, avalia. Com esse apoio ele pôde manter um bom equilíbrio emocional. Essa lição ele levou para a vida e sua própria família, dando mais valor ao afeto e procurando demonstrá-lo para os seus filhos.” Meu pai passava para mim o que o pai dele passava para ele, e eu não quero fazer isso. Não quero mostrar a rigidez, e sim afeto”. E deixa um recado emocionado: “Todos que têm, deêm muito valor, porque a ausência faz muita falta. Usem cada momento como se fosse o último”.

 

 

       Longe do filho, mas perto da mãe

       A jovem mãe Larissa Farias de Oliveira, 28 anos, que trabalha no Sushi Seninha desde a inauguração, em 2010, sente-se dividida nesta data. “O dia das mães para mim não é um dia tão feliz por eu não estar perto do meu filho. Eu espero em breve poder estar com ele, estamos lutando para isso. Mas fico muito feliz de estar perto da minha mãe”, diz. Ela lembra que também já esteve algumas vezes longe de sua mãe e que passaram por muitas dificuldades juntas. “Eu já fiquei muito doente, foi ela quem cuidou de mim todo o tempo, horas e horas. Eu sou muito grata a ela por isso. E agora a gente está bem, a minha vida está muito melhor, e eu estou podendo proporcionar a ela uma vida melhor”.

 

 

       Mimos da mãe

       Caçula de quatro irmãos, Larissa diz que eles estão bem encaminhados hoje graças à mãe: “Ela criou a gente sozinha, bem dizer. Mas somos todos irmãos muito bons, todo mundo saiu ‘gente fina’, todos bem encaminhados, e acho que isso vai muito da criação que ela deu. E a gente se ama muito, fomos criados com muito amor”, diz a caçula, que sempre foi muito mimada. Lembra dos ciúmes dos seus irmãos pelos privilegiados mimos que recebia. Segundo eles, ela sempre levava vantagens, diz divertida. Mas mesmo assim sempre foi muito rebelde, e deu muita preocupação para a mãe. “Mas agora está tudo bem. Gostaria de dizer que eu amo muito ela, e que ela seja sempre muito feliz. No que eu puder ajudar, ela vai sempre poder contar comigo”, finaliza.

 

 

Fotos: Letícia Garcia

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