Aquecendo corações cervejeiros

O inverno parece ter chegado cedo demais esse ano. Com esse clima frio nosso paladar pede cervejas mais encorpadas, que possam ser degustadas frias – e não geladas – com queijos, sopas, fondues. E companhia também para conversar, “ficar”, namorar…

 

BURGOMESTRE, por Sady Homrich

Assim como o dia dos namorados teve um clima propício para ficarmos bem juntinhos com a pessoa amada e espantar o frio, durante os dias gelados proponho experimentar boas cervejas com típica formulação da escola germânica.

Geralmente sazonal, a cerveja tipo Bock é uma lager (ou de baixa fermentação) de aceitação mundial por ter um sabor mais forte e encorpado, sendo levemente amarga, entre 20 e 30 IBU com um fundo adocicado. Sua cor varia entre o dourado intenso e o marrom-escuro.

Trata-se de uma cerveja forte quanto ao teor de malte: seu extrato primitivo é acima de 16%, enquanto as pilsens americanas comuns ficam em torno de 11%. Possui teor alcoólico de 6,5 a 7,5%, sendo produzida durante o início do outono.

Há uma crença no Brasil que cerveja Bock é sinônimo de cerveja escura. Existem variações de acordo com a região de origem. O estilo Maibock ou Heller Bock também é intenso em malte, porém a coloração é clara. Se houver adição de malte defumado, chamamos de Rauchbock. Já a Weizenbock  tem percentual de malte de trigo. Se tiver o prefixo “eis” (gelo), é porque passou por um processo concentração ao congelar parte da água da cerveja.

Esse estilo teve origem na cidade de Einbeck, na Baixa Saxônia, por volta do século XII. Em 1385 eram mais de 600 cervejarias produzindo as Bocks na cidade. O nome da cerveja virou Bock por causa do sotaque dos bávaros na hora de dizer Einbeck e seu símbolo é um bode.

Em Munique, as cervejas Bock começaram a ser fabricadas pelos frades franciscanos no convento de Paulaner. Como faziam jejum duas vezes por ano e precisavam de cervejas fortes e doces para sustentá-los durante esse período.

Então, já está com sede?  Sugiro algumas representantes nacionais premiadas no Concurso Brasileiro da Cerveja (CBC), em Blumenau (SC).

Bierland Bock (5,8% alc) – medalha de ouro em 2016.

Coruja Strix (6,5% alc) – Heller Bock bicampeã 2015 e 2016.

Eisenbahn Weizenbock (8,0% alc)  – ouro em 2016.

Alenda Rauchweizeneisbock (11,0%alc) – ouro na categoria experimental no CBC 2016.

Procure utilizar um cálice arredondado, com a boca um pouco mais fechada para concentrar o aroma maltado. Cuide que esteja bem enxaguado e completamente seco, sem felpas de pano. Na boca, a primeira sensação lembra amêndoas e frutas secas. Por não conter muito lúpulo na sua formulação revela-se levemente adocicada, combinando bem com queijo Gruyère e damascos.

E que venha o frio! Abraço do Burgomestre

SADY HOMRICH

Que a fonte nuuuunca seque!!!

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