Antiga avenida litorânea

Av. Júlio de Castilhos
Extensão: da Av. Borges de Medeiros até a Rua da Conceição e mais o viaduto Foto: Joel Vargas/PMPA

 

Na lateral do Mercado, a Av. Júlio de Castilhos foi planejada para desafogar o trânsito do Centro. Construída em uma parte aterrada do lago Guaíba, foi projetada, à época, como uma avenida litorânea.

A sua história é marcada por brigas judiciais envolvendo o município de Porto Alegre e os herdeiros de Antônio Pereira do Couto, assim como o médico Tomaz Lourenço Carvalho de Campos. Na longa ação judicial, os herdeiros alegavam que a Rua Voluntários da Pátria tinha sido aberta em terreno de sua propriedade, e, por isso, a nova parte aterrada também era de seu domínio.

A questão foi decidida a favor do município, defendendo que a Voluntários tinha sido feita por aterros e que todos os seus acréscimos vinham de trabalhos da Câmara Municipal. Além disso, em 1862, os terrenos, definidos como da Marinha, haviam sido trocados pelo governo central com o município, com a condição de que fossem transformados em logradouro público.

O projeto de uma “avenida litorânea” aos fundos da Voluntários era antigo. A ideia era fazer uma conexão com a Rua das Flores, atual Siqueira Campos, na época à beira do Guaíba. A sua construção foi prevista em 1914 no Plano Geral de Melhoramentos.

Apesar disso, a Júlio só foi começada em 1925 na administração de Otávio Rocha, que registrou em relatório as razões da sua execução: “A Rua Voluntários da Pátria é insuficiente para o seu intenso tráfego e nem sequer é possível mais conservar o seu calçamento, quanto mais remodelá-lo, pelo perigo do congestionamento e consequente paralisação do comércio em grosso ali localizado”. O ponto inicial previsto já eram os fundos do Mercado, terminando na Viação Férrea.

O nome atual, previsto em 1914, foi instituído por decreto em 1926, em homenagem à Júlio de Castilhos, que foi jornalista, diretor do jornal A Federação, presidente da província do RS e disseminador do positivismo. A avenida foi inaugurada em 24 de janeiro de 1928, na gestão do intendente Alberto Bins. Borges de Medeiros, às vésperas de deixar o governo do estado, presidiu a cerimônia de inauguração.

Bins registrou que “o comércio de Porto Alegre, em agradecimento ao saudoso Dr. Otávio Rocha, ofereceu ao município um marco comemorativo da abertura de tão importante artéria”: a Praça Rui Barbosa, atualmente rua e terminal de ônibus. O viaduto ligando a Júlio à Av. Castelo Branco foi inaugurado apenas em junho de 2014, no período em que a Copa do Mundo Fifa passou pela cidade.

 

Referência: “Porto Alegre: guia histórico”, de Sérgio da Costa Franco (Ed. da Ufrgs, 2006, 4ª ed.)

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