Anonymus Gourmet: um prato cheio

Nascido em Porto Alegre, vindo da tradicional família Pinheiro Machado, José Antônio Anonymus Gourmet Gomes Pinheiro Machado, aos 65 anos, está vivendo um novo momento na sua intensa trajetória pessoal e profissional. Seu conhecido e popular programa de culinária Anonymus Gourmet está agora no SBT, em nova fase – mas mantendo a sua informalidade, bom humor e, claro, deliciosos pratos. Advogado, jornalista, escritor, gourmet, tem 21 livros publicados, e em breve mais um, “O senador e a princesa” – quase todos pela L&PM, editora da qual o irmão Ivan Pinheiro Machado é sócio.

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Aos 19 anos já era repórter da Folha da Tarde e do Correio do Povo, jornais que durante décadas foram os mais importantes do estado, editados pela tradicional Companhia Jornalística Caldas Júnior (CJCJ). Foi correspondente deles em Roma e Paris, cobrindo importantes acontecimentos internacionais. Na Europa, descobriu grande espaço para livros de culinária nas livrarias, quando no Brasil eram raros, limitando-se ao clássico livro de receitas de Dona Benta. Na volta ao Brasil, começou a estudar Direito enquanto seguia no jornalismo, com passagens em importantes veículos nacionais, como Veja, Placar, o Estado de São Paulo, entre outros. Também foi redator-chefe da Playboy e, de 1995 a 2000, foi apresentador do RBS Entrevista. O personagem Anonymus Gourmet surgiu em 1982, no livro “O brasileiro que ganhou o Prêmio Nobel”. Ele diz que foi o jornalismo que o aproximou da gastronomia.

 

Descascando um saco de batatas, o começo

 

Em relação à culinária, diz que sempre teve curiosidade natural “com a cozinha e a comida – sempre gostei de cozinhar”. Também teve muita influência da sua mãe, que era uma “cozinheira compulsória”. E lembra que, nos tempos em que morou sozinho na Europa, viu-se obrigado a cozinhar, porque, na época, tudo era muito caro e a defasagem da moeda brasileira em relação ao dólar era enorme. Lá também trabalhou em restaurantes. Começou descascando batatas, avançando na cozinha aos poucos, o que ele considera um aprendizado essencial, o que o faz ver com alguma reserva esse “modismo gastronômico atual, onde todo mundo se intitula chef”. Porém garante que não tem nenhuma restrição ao movimento. “Isso tem um lado bom, das pessoas quererem ser chefs – quero que todo mundo co

zinhe, não tem reserva de mercado. Vejo nos canais de TV, sempre tem um quadro ou um programa de gastronomia. Acho isso uma coisa maravilhosa”, diz.

 

Nasce o personagem

 

A inspiração veio de um amigo que falava em um “anonimous” que percorria restaurantes em Nova Iorque. “Fiquei com aquilo na cabeça e fiz ‘Anonymus’, uma coisa mais latina.” O personagem passou a povoar as crônicas e contos de José Antônio. Hoje está incorporado, inclusive, no nome e nos documentos: José Antônio Anonymus Gourmet Gomes Pinheiro Machado. “É meu heterônimo. Às vezes penso coisas que não tenho coragem de dizer, mas ele diz – como ‘caldos em tablete entorpecem o gosto e são tão perigosos para a civilização como a má literatura’”, diz, bem-humorado. Comidas preferidas dele e de Anonymus? “Em geral, como de tudo. Gosto muito de peixe, sou freguês da Japesca, é uma loja de peixe que nos orgulha pela qualidade. Também gosto muito de carnes vermelhas, de preparar um filé, fazer um assado.” Também gosta de reinventar pratos, como pegar um pedaço de salmão e fazer um carreteiro de peixe. As ideias surgem ao natural, espontaneamente. Para ele, o importante é tirar todo o supérfluo ao fazer um prato. “Vejo receitas em programas com até 12, 13 ingredientes. O importante é matéria-prima fresca e cortar os acessórios, como caldos industrializados. Não existe coisa mais fácil do que fazer um caldo de carne, de galinha ou de peixe”, observa.

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O programa – um show de culinária

Quando era apresentador do RBS Entrevista, surgiu a ideia de fazer um programa de culinária. “O personagem já existia, então eu comecei. Agora, no mês de abril, completou 20 anos”, registra. O programa deixou de ir ao ar pela RBS e em maio fez sua estreia no SBT. “Foi uma ótima recepção, ambiente de trabalho maravilhoso, pessoas novas, mas continua sendo gravado na minha cozinha”, entusiasma-se. A proposta e o sucesso do programa? “Vejo como um show, divertido, que tenha a gastronomia como centro e se sustente do ponto de vista técnico, procurando sempre simplificar as coisas, porque o público é amplo. Sou modesto, faço as coisas simples, da maneira como sou. Tenho muita alegria no meu trabalho, disposição, empenho e dedicação de colocar as coisas da gente. É um espetáculo. Nunca pensei que fosse trabalhar na TV, ser cozinheiro profissional”, finaliza. Entre os próximos projetos, continuar advogando intensamente, lançar o seu próximo romance “e arrumar mais broncas”. Voltaremos!

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A equipe do programa: um “time”

Ele faz questão de destacar a participação da equipe que faz o programa com ele: a esposa Linda Lutz e sua irmã, Márcia Lutz, mãe do garoto Alarico. “Eles são pessoas fundamentais, especialmente porque a Márcia e a Linda são muito importantes do ponto de vista técnico, com a parte de pães, tortas e doces. São imbatíveis como doceiras, fazem com um alto nível de excelência.”

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As deliciosas receitas de Anonymus Gourmet

 

Galinha na cerveja com arroz na farofa

 

GALINHA NA CERVEJA

Ingredientes

800 g de carne de galinha

1 lata de cerveja preta

1 copo de água

1 pacote de sopa creme de cebola

 

Modo de preparo:

  1. Frite a carne de galinha, previamente cortada em cubos, com um pouco de azeite.
  2. Cubra a galinha com a sopa de cebola, a cerveja e a água. Misture bem e deixe cozinhar por, em média, 30 minutos, ou até o molho engrossar. Está pronto!

 

ARROZ NA FAROFA

Ingredientes

200 g de bacon

2 dentes de alho

300 g de seleta de legumes

100 g de passas de uva

1 cebola

1 colher (sopa) de orégano

1 xícara de abacaxi picado

½ xícara de farinha de milho

½ xícara de farinha de mandioca torrada

2 xícaras de arroz

2 xícaras de caldo de carne

2 xícaras de água

 

Modo de preparo:

  1. Comece preparando o arroz. Cozinhe-o com o caldo de carne e a água. Reserve.
  2. Em uma panela grande, frite o bacon. Adicione o alho e a cebola. Quando a cebola estiver macia, misture o orégano. Acrescente a seleta de legumes, as passas de uva e o abacaxi. Coloque os dois tipos de farinha e o arroz previamente pronto.

Misture bem. Está pronto!

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Picanha do avesso

 

Ingredientes:

1 picanha

Sal

Azeite de oliva

Fatias de queijo mussarela

Fatias de queijo gorgonzola

Fatias de salame italiano

 

Modo de preparo:

Tempere a picanha com sal. Depois faça um corte na lateral e passe bastante azeite de oliva. Com cuidado, vire a picanha do avesso. Coloque no interior da picanha fatias dos queijos e do salame. Leve ao forno (180 ºC) por, mais ou menos, 40 minutos. Está pronto! É só servir!

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Salmão com batatas ao murro

 

PEIXE

Ingredientes:

1 filé de salmão

1 limão

1 xícara (cafezinho) de molho de soja

Azeite de oliva

 

BATATAS AO MURRO

Ingredientes:

1 kg de batatas

Azeite de oliva

Sal

Salsinha

 

PIRÃO

Ingredientes:

2 xícaras de farinha de mandioca

½ litro de caldo de aparas de peixe

1 cebola pequena

Tempero verde a gosto

 

Modo de preparo:

  1. Tempere o filé de salmão com azeite de oliva, sal, limão e molho de soja. Espalhe bem os ingredientes pelos dois lados do peixe.
  2. Leve ao forno previamente aquecido (180 °C) por 30 a 40 minutos.
  3. Para preparar o pirão, coloque em uma frigideira o óleo, a cebola e o caldo de aparas de peixe. Acrescente a farinha de mandioca aos poucos e mexa sem parar.
  4. Se precisar, adicione mais caldo de aparas ou farinha de mandioca para dar o ponto. Mexa até desgrudar do fundo da panela, cuidando para não ficar grosso. Polvilhe com tempero verde.
  5. Cozinhe as batatas com casca e retire-as do fogo um pouco antes de ficarem prontas. Assim que esfriarem, dê um leve murro nas batatas. Elas devem ficar ligeiramente achatadas e abertas. Adicione sal, salsinha e azeite de oliva sobre as batatas. Leve ao forno (180 °C) por cerca de 20 minutos. Sirva quente com o salmão. Está pronto!

 

Dica do Anonymus: Compre um filé de peixe inteiro e peça ao açougueiro que separe as aparas. Com elas, ferva ½ litro de água e prepare um saboroso caldo para o pirão.

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Torta da Mamãe

 

Ingredientes:

8 peras

1 xícara de vinho tinto seco

1 xícara de açúcar

½ colher (sopa) de manteiga

200 g de nozes picadas

3 colheres de mel

270 g de chocolate meio amargo

700 g de creme de leite fresco (nata)

4 colheres (sopa) de açúcar

1 colher (sobremesa) de essência de baunilha

300 g de merengue

 

Modo de preparo:

  1. A Torta da Mamãe tem várias camadas, que devem ser preparadas separadamente. Comece descascando e cortando as peras em cubos. Coloque-as em uma panela com o vinho e a xícara de açúcar. Leve ao fogo até que as peras estejam cozidas e a calda engrossar.
  2. Enquanto isso, em uma frigideira, derreta a manteiga e coloque as nozes e o mel. Mexa delicadamente até que as nozes estejam carameladas.
  3. Derreta o chocolate em banho-maria. Coe as peras. Reserve as peras e misture a calda de vinho ao chocolate.
  4. Para fazer o chantili, na batedeira, bata o creme de leite fresco, o açúcar e a essência de baunilha até a mistura ficar firme.
  5. Hora de montar a torta. Em uma fôrma de fundo removível, faça uma camada de merengue. Se precisar, quebre alguns merengues e espalhe para tapar os espaços vazios. Faça uma camada de peras e, em seguida, uma de nozes. Por cima, espalhe o chantili e o chocolate derretido com a calda. Repita todas as camadas novamente. Leve para a geladeira por, no mínimo, 2 horas. Desenforme a torta e sirva gelada.

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Roteiro

Um nada anônimo chef no Mercado

Muito conhecido no Mercado, ele parou algumas vezes para conversar com pessoas que o abordaram para fazer fotos. E depois prosseguia nas suas compras. Acompanhe o Anonymus:

 

San Remo – Não tem um açougue preferido ou definido. “Vou num, vou noutro”. Neste caso, o escolhido foi o San Remo, onde comprou picanha e galinha.

 

Banca 47 – Salames

 

Banca do Holandês e Banca 43 – Escolhidas para ingredientes como passas, nozes e queijos.

 

Box do Bagé – Apreciador do popular setor de hortifruti do Mercado, oito Box com as mais diversas verduras, legumes e temperos, ele deu uma parada no Box do Bagé para comprar os temperos. Ele pega leve nos ingredientes mais fortes – sua filosofia é que o tempero serve para fazer brilhar a carne, ou o peixe. Por isto, usa pouco alho e pouca cebola. Prefere tomate e pimentão que, além do colorido, dão sabor e não interferem tanto nos pratos.

 

Japesca – Parada para escolher o salmão.

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Anonymus Gourmet e o Mercado Público

“O Mercado é primeiro mundo em gastronomia”

“Venho muito ao Mercado. Agora no último ano e meio foi um pouco atrapalhado, inclusive pela mudança de emissora. O Mercado preserva isto de poder escolher as coisas, tem um mundo de novidades, a gente pode comprar o que quiser – fico impressionado. E isso é uma coisa antiga. Quando entro aqui no Mercado eu penso que estou entrando no primeiro mundo em matéria de gastronomia, porque tem um grande nível de qualidade nos seus produtos. Também gosto muito dos restaurantes do Mercado. Como meu escritório é aqui no Centro, eu vinha muito almoçar aqui. Mas venho seguidamente ao Gambrinus, compro na Japesca, acho o Café do Mercado bem interessante, a Banca do Holandês, a Banca 43. E sem falar naquelas bancas de hortifruti, que são espetaculares. Quando vou comprar um bacalhau, por exemplo, tem umas quatro bancas, eu fico sempre na dúvida em qual eu vou, assim como nos açougues, que são vários. Isto é o legal do Mercado: a gente pode escolher, não se fica restrito.”

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