Açougue e Café Provenzano

A cabeça de boi esculpida em gesso ainda está ali, próxima ao portão da Av. Júlio de Castilhos. O Café Provenzano e o Açougue de mesmo nome marcaram a história do Mercado, nascidos das mãos do imigrante italiano Francesco Provenzano.

Foto: Letícia Garcia

 

Foi no ano de 1893 que Francesco assinou a permissão de uso de salas no Mercado para a abertura de seu açougue. O pai, Antonio Provenzano, um vendedor de ovos de galinha, trabalhou para estabelecer a família na capital, permitindo que o filho estabelecesse seu negócio no ponto central de comércio de Porto Alegre. O Açougue Provenzano logo se tornou um dos mais importantes da cidade. Além de produtos de qualidade e algumas exclusividades como entrega à domicílio, o espaço contava com um ambiente todo especial: na entrada, ornamentos em gesso na porta e uma cabeça de boi dando boas-vindas aos clientes. Com os negócios prosperando, treze anos depois, em 1906, Francesco abriu o Café Provenzano. Seu espaço foi elaborado pelo arquiteto Luiz Valliera, aos moldes de cafés do Rio de Janeiro e Buenos Aires. Nomes ilustres e imprensa acompanharam a inauguração, além do cônsul da Itália, cavallieri Giovanni Baverini, como registra Rafael Guimaraens em seu livro “Mercado Público – palácio do povo” (Libretos, 2012). Mesas redondas de mármore italiano, cadeiras adornadas, uma chopeira colorida e mesas de bilhar formavam o café. “Durante algum tempo, ele projeta films em um aparelho de cinematógrafo importado”, registra Guimaraens. Além dos clientes habituais, logo o Café se tornou palco da bolsa de mercadorias da cidade, na qual comerciantes determinavam os preços dos produtos. Com o sucesso do Café, Provenzano comprou grande terreno na Rua Pinto Bandeira e ali construiu um armazém. Instalou um matadouro e uma fábrica de embutidos em Novo Hamburgo para abastecer o açougue, administrados por seu filho Antônio Benito. Muito ativo na comunidade italiana, Provenzano intercedeu por seus colegas atingidos pelo incêndio de 1912 ao amigo José Montaury, que garantiu a reconstrução das bancas em ferro. E foi ele que, em 1913, encabeçou a construção de uma estátua de Guiseppe e Anita Garibaldi – ação que lhe fez receber o título de cavallieri do Império Italiano, conferido pelo rei Emmanuel. Foram mais de 50 anos de muitas histórias compartilhadas pelo senhor Provenzano.

 

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