Marcos Piangers e Beto Xavier: a vez dos jovens

A vez dos jovens

     A boêmia está intrínseca na atmosfera do Mercado Público desde seus primórdios. Seres-teiros, jornalistas, políticos e inúmeros desconhecidos amanheciam em seus bares. Daquela época restaram inúmeras histórias, muitas delas ainda são contadas pelos mais antigos freqüentadores ou pelos que aqui trabalham desde aqueles tempos.

Nestes últimos anos o Mercado, assim como o centro, parece que ficou desinte-ressante para os mais jovens. Encontramos nos corredores do Mercado uma dupla que tem muito a dizer sobre a nova geração: Marcos Piangers e Beto Xavier.

     Marcos Piangers é a cara da juventude com seus 28 anos, dois deles em Porto Alegre como comunicador em canais que falam diretamente aos jovens: na rádio Atlântida com o conhecido Pretinho Básico e na RBS TV com o Kazuka. Está presente também no Bola nas Costas, da rádio Atlântida, onde atua ao lado de outros comunicadores, dentre eles Beto Xavier, que também possuí programa na rádio Itapema.

     Nossa conversa aconteceu de maneira despojada, em meio ao movimento das pessoas que passavam pelas bancas. Não tardou muito e o Beto lascou: “O Mercado Público é o melhor lugar da cidade para tomar uma cerveja!“ Piangers com-ple-mentou: “Este cheiro de Mercado Público desperta em mim aquela vontade de encher a cara, de passar a tarde bebendo!“

     Beto Xavier freqüenta o Mercado Público há mais de vinte anos, segundo ele mesmo. Antes de vir morar em Porto Alegre ele já visitava as bancas e bares. E foi o próprio Beto quem apresentou o Mercado ao Pian-gers. Vindo de Florianópolis, onde freqüentava o Mercado local: “ Lá o pessoal também soube modernizar e sofisticar o Mercado Público. Criaram botecos e bares que viraram pontos de referência.“

     O tema da conversa continuou etílico, Piangers entrega o colega:“Meu amigo Beto Xavier é um boêmio. Ele vai no Tuim e depois vem no Mercado terminar de encher a cara (gargalhadas …). Eu sou um cara mais controlado, pois já tenho família“. Beto Xavier aproveita a brincadeira do amigo para chamar a atenção:“ Boteco pra mim é o Naval. Lupicínio Rodrigues  freqüentava, tinha sua mesa onde escrevia suas músicas e cantava. Eu queria voltar a ver os jovens a freqüentar os bares do Mercado, estes precisam da beleza e da energia dos jovens e os jovens também precisam conhecer isto aqui, está cada vez melhor!“

     Bom, vamos beber então?! Os amigos se olham, dominam a vontade e o Piangers se encarrega de explicar:“Hoje não tem como, é aniversário da minha mulher, estou aqui comprando uns camarõezinhos e um pei-xinho pra fazer uma janta pra ela e para alguns amigos. Mas venho seguido beber aqui, estive com o pessoal do Pretinho bebendo ali no Mamma Júlia, durante o Boteco Bohemia. Vou no Naval com o Beto também. Hoje comprei peixe porque o melhor é daqui, quer qualidade vem no Mercado. Outra banca que freqüento é a do Holandês“.

     Beto Xavier se encarrega de encerrar a conversa enal-tecendo: “Nosso Mercado Público é refe-rencial, assim como acontece com outros que já visitei no Brasil e no exterior. Isto aqui é muito bom, depois da reforma ficou melhor ainda. Aqui tem produtos que não se encontram em outros lugares, só no Mercado mesmo. Aqui eu freqüento o restaurante Gam-brinus, compro meu peixe na Japesca, erva-mate na banca 33, o vinho no empório 38 e frutas na banca 10.“

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