A pedra fundamental

Em 29 de setembro de 1864, é dada a largada para a construção do Mercado Público com o lançamento da sua pedra fundamental, enterrada na esquina das Av. Borges de Medeiros e Júlio de Castilhos.

Livro de Atas da Câmara, que está no Arquivo Histórico de Porto Alegre Moyses Bellinho, registra o lançamento.                                          Foto: Vanessa Souza

 

“Era sua majestade o Senhor Dom Pedro Segundo o Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil quando, aos vinte e nove dias do mês de setembro do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1864, 43º da Independência e do Império, por convite da Câmara Municipal da Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre, capital da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, o Ilmo. Exmo. Sr. Dr. João Marcellino de Souza Gonzaga, moço fidalgo com exercício na Casa Imperial, cavaleiro da Ordem de Cristo e Presidente da mesma Província, lançou a pedra fundamental deste edifício.” Assim começa o pergaminho enterrado na cápsula do tempo da pedra fundamental do Mercado Público. Em idos dos anos 1850, havia um mercado inacabado funcionando na Praça XV de Novembro, mas, passada a Revolução Farroupilha, a Câmara Municipal de Vereadores decidiu que um mercado público de grande porte ajudaria a promover o desenvolvimento da cidade. Assim, em 1855, contratou Frederico Heidtmann para construir um novo prédio. Em 1862, o projeto foi aprovado e, em julho de 1864, o contrato foi assinado por Polidoro Antônio da Costa, vencedor da licitação. Para marcar o início das obras, em 29/9/1864 a Câmara realizou uma festa de lançamento da pedra fundamental do edifício, registrada em seu livro de atas, que contou com a presença de diversas autoridades. Dentro da pedra, foi colocado um tubo de chumbo de 44 cm de comprimento por 10 cm de diâmetro, onde, além do pergaminho registrando o ato, estão sete moedas da época (três de ouro nos valores de 5, 10 e 20 mil réis e quatro de prata de 200, 500, mil e dois mil réis) e quatro jornais, edições daquele dia (Correio do Sul, Deutsche Zeitung, Jornal do Comércio e Mercantil). A cápsula do tempo foi soldada e ajustada na pedra fundamental, que está enterrada na esquina do Quadrante II, sudeste, a uma profundidade de 1,80 m, e coberta com um tampo de pedra com as iniciais “C.M.” e a data do lançamento. Cinco anos depois disso, em outubro de 1869, com a obra ainda em andamento, o prédio do Mercado Púbico seria inaugurado.

 

Conhece uma história antiga do Mercado? Escreva para redacao@jornaldomercadopoa.com.br

COMENTÁRIOS