A mudança no entorno

De docas a aterros, as muitas alterações que o Mercado viu passar.

 

De um lado, a Av. Borges de Medeiros e o Paço Municipal; de outro, a Praça Pereira Parobé. À frente, o Largo Glênio Peres e a Praça 15 de Novembro; no oposto, a Av. Júlio de Castilhos e a Praça Revolução Farroupilha. As quatro faces do Mercado já viram muitas mudanças passarem ao seu redor, de aterros a modernidades, até chegarem aos atuais espaços que contornam este antigo prédio.

 

Doca do Carvão

A Doca do Carvão era mais profunda que as demais e recebia o carvão mineral para a geração de energia da capital, vindo de minas do interior do estado. Funcionou por cerca de 30 anos ao lado do Mercadão, até o início do século XX, quando a prefeitura decidiu construir nessa área o seu prédio central de administração. O aterro foi feito rapidamente para que fosse erguido o edifício do Paço Municipal, inaugurado em 1901. Em estilo eclético e de dois andares, o prédio passou a receber diversos serviços da prefeitura.

 

Mercado Livre

No seu lado diretamente voltado ao Guaíba ficava a Doca de Peixes, inicialmente bem próxima ao Mercado para abastecê-lo do seu principal produto. Essa doca esteve presente desde os tempos bem iniciais do prédio e manteve-se funcionando até os anos 1920, quando aterros para a criação do novo Cais do Porto foram feitos na área.

Em 1939, o prefeito José Loureiro da Silva inaugurava sobre o aterro o Mercado Livre, prédio grande em estilo art decó, bem ventilado, com pé direito alto e amplas janelas. O novo espaço ficava de frente para o Mercado Público, separado apenas pela atual Av. Júlio de Castilhos, e foi criado para abrigar os hortifrutigranjeiros, bancas de frutas e verduras.

Produtos agrícolas do entorno de Porto Alegre eram vendidos frescos, inclusive abastecendo restaurantes e carroceiros, assim como revendedores, que enchiam a Júlio na madrugada. O Mercado Livre passou a complementar, assim, as atividades Mercadão, e os fregueses circulavam pelos dois prédios.

Nos anos 1970, o Mercado Livre foi demolido durante a gestão de Thompson Flores para a construção do terminal da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), com uma entrada subterrânea para a Estação Mercado. O espaço serviu por um tempo como estacionamento, até ser transformado na Praça Revolução Farroupilha, que abriga o painel de Danúbio Gonçalves, “Epopeia Rio-grandense, Missioneira e Farroupilha”. Hoje dá acesso também ao embarque do Catamarã.

Praça do Paraíso

Mesmo que o projeto de tornar público o espaço da atual Praça 15 de Novembro fosse bem antigo, ele levou muitos anos a se concretizar. A história do espaço começa com um ponto de prostituição, talvez o primeiro da Vila de Porto Alegre, o que levou ao nome de Praça do Paraíso. Já existia em 1811, quando tem a sua primeira referência nas atas municipais com este nome. Particulares reivindicaram a posse deste espaço, que foi garantida à Câmara Municipal pelo governo da capitania e passou a abrir quitandeiros e comerciantes.

Depois foi depósito de lixo por um tempo até que tudo foi aterrado para a construção do primeiro mercado municipal, que durou de 1844 a 1869, substituído pelo Mercado Público Central. No início dos anos 70, o mercado inicial foi demolido, a área foi novamente aterrada o espaço foi batizado de Praça Conde D’Eu, ficando aberto e vazio, o que levou a instalação de diversos circos no período. A área em frente ao Mercado passou a ser ponto de passagem de carretas para descarga de itens para o próprio Mercadão.

Em 1879 a praça seria retomada pelo poder público e passaria por cercamento, ajardinamento e arborização, sendo inaugurada em 1882 e recebendo o Chafariz Imperial em 1884 (transferido para a Redenção nos anos 1940). Com a proclamação da república, em 1889, foi renomeada para Praça 15 de Novembro, e na virada do século recebeu as últimas intervenções: em 1911, passou a abrigar o Chalé e, em 1930, o Abrigo dos Bondes, que hoje concentra variadas lanchonetes.

O espaço em frente ao Mercado, depois de ver passar muitos bondes, virou rua de passagem para carros e, mais tarde, terminal de ônibus. Em 1992, é transformado pela prefeitura em um calçadão, que recebe o nome de Largo Glênio Peres, e torna-se ponto de encontro para manifestações dos mais variados tipos.

 

Praça Parobé

O lado do Mercado hoje movimentado por ônibus começou sendo mais uma das suas docas, estima-se que voltada ao recebimento de pequenas embarcações trazendo frutas e verduras — a Doca das Frutas, que teria o seu início no período do primeiro mercado da Praça do Paraíso. Na virada para os anos 1920, com a construção do novo porto da capital, o espaço todo é aterrado e passa a servir de passagem para carroças de carga e descarga.

Na gestão de Otávio Rocha, veio a proposta de implantar uma praça pública no local, para servir como ponto dos Navegantes e São João, evitando a volta pelas Ruas 24 de Maio, Andradas e Dr. Flores. A Praça Pereira Parobé foi oficialmente anunciada em 1925 e inaugurada em 1927. Arborizada, com jardim de estilo francês, a praça recebeu o Chafariz Imperial que antes estava na Praça 15 (e, mais tarde, iria para a Redenção).

O charmoso local foi atingido em cheio pela enchente de 41, o que causou a sua total destruição. O espaço passou a ser utilizado como estacionamento por um longo tempo, até os anos 2000, quando foi construído o Terminal Parobé para ônibus, que é vizinho do Mercado até hoje.

 

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