A magia do Mercado

Um pólo comercial e um patrimônio histórico da cidade. Para algumas pessoas é mais do que isso: uma forma mágica de despertar as melhores memórias.

   

Maria do Carmo Farias Duarte

“Eu venho aqui por essa memória emocional que eu tenho”, começa dizendo Maria do Carmo. O Mercado Público para ela é muito mais que um centro de compras. “Eu era muito pequena e meu pai chegava com aqueles pacotes de papel pardo amarrados com cordão, e uns peixes enormes. Eu era bem pequenininha, e ficava na ponta dos pés para enxergar a mesa, impressionada com o tamanho dos peixes que ele trazia para a Páscoa.”

O pai comprava tudo no Mercado, e ela herdou o gosto por frequentar o lugar. “Ele estava sempre falando do Mercado, então criou na minha cabeça a ideia de um lugar mágico. Eu já vinha bastante até aqui, e depois que ele morreu sempre procuro passar pelo Mercado, é um lugar mágico para mim”.

Além disso, a artesã não abre mão de comprar suas verduras Mercado. Embora esteja morando em Canoas atualmente, a porto-alegrense de 52 anos é uma frequentadora assídua do lugar. Também se diz fã declarada dos cafés e da banca de revistas, da qual sempre leva algum exemplar quando por ali passa.

Mais do que consumir produtos, Maria diz que gosta de vir ao Mercado, sobretudo, pela diversidade que o lugar mostra a ela. “Aqui vemos pessoas diferentes, à vezes tem algum ritual de religiões variadas, sempre tem algo diferente, alguma manifestação interessante. Tem coisa mais legal do que tu descer do ônibus, entrar aqui e escutar um piano? Isso emociona, ainda mais pelo fato de que qualquer um pode tocar. Para mim isso é mágico”, conta.

 

Aken Chuang

Aken aguarda o seu pedido em frente à Temakeria Japesca. A fisionomia não deixa dúvidas sobre a preferência pela culinária asiática. Ela nasceu na China e veio para o Brasil com dois anos de idade.

Foi na cidade de São Paulo que viveu grande parte da sua vida, e trabalhou com os pais no comércio até seus quase 30 anos. Depois disso, mudou-se para o Rio Grande do Sul com o marido e aqui tiveram um filho.

Hoje com 48 anos, 20 deles vividos na capital gaúcha, é aposentada e vem ao Mercado Público semanalmente comprar comida japonesa para o filho, que é grande apreciador. Além dos peixes frescos, carnes, chás naturais, e também não dispensa um bom cafezinho sempre que pode. “Aqui me sinto muito bem e encontro tudo que preciso. Gosto muito de gastronomia e esse lugar é fantástico nesse ponto. Sempre frequentei o Mercadão de São Paulo com meus pais e desde que mudei para cá, o hábito continua com o Mercado de Porto Alegre”, conta.

 

Milton José dos Santos

Despreocupado e à vontade, Milton passeia pelos corredores do Mercado Público. Ele vai quase que de banca em banca pesquisando os produtos, sem preocupação com o tempo, “to dando uma ‘caminhadinha’”, explica.

O eletricista aposentado de 57 anos vem ao Mercado regularmente, gosta das novidades constantes que o lugar apresenta a ele, e é fã dos preços acessíveis que diz não encontrar facilmente em outros lugares. Natural de Venâncio Aires, atualmente mora em Sapucaia do Sul.

O produto que mais consome é o peixe, “não encontro peixes frescos assim e com esse preço em outros lugares”, afirma. Além disso, elogia o atendimento e a ética das bancas. “Aqui não se encontra nenhum tipo de exploração com o consumidor, os preços são justos, sempre sou muito bem tratado e estou sempre recomendando aos amigos”, finaliza.

 

Fotos: Vanessa Souza

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