A Ipanema é a melhor rádio do mundo

A Ipanema é a melhor rádio do mundo

O apelido ele ganhou da locutora Nara Sarmento, lá por 1994, justamente quando entrou na rádio. “Eu tinha 22 anos e ela me achou parecido com o Bambam, dos Flintstones, que é um cara grandão, brincalhão. Já Kátia Suman queria que o apelido fosse Rambo. Mas o que prevaleceu foi o de Nara e desde lá o operador Flávio Machado Borges passou a ser conhecido por este apelido. “Mais tarde a Nara dizia nas festas: bah, eu criei um monstro, o cara é mais famoso que eu!” Ele vive música 24 horas. Seu gosto é eclético, mas seus preferidos são Nirvana, Led Zeppelin, embora também escute Iron Maiden e Megadeth. Colorado doente, diz pode ser chamado de tudo, menos de gremista.

 

Entrada na Ipanema

 

     Sou natural de Cachoeirinha, mas resido em Gravataí, na Morada do Vale. Comecei em rádio em 1989, na rádio Vale do Gravataí, uma rádio AM. Vim na metade dos anos 90, para ser “folguista” da Band AM, onde fiquei três meses. Então o chefe da Band News me fez uma proposta para ir para a Ipanema. Em três meses já era chefe de operadores e assim fiquei quase três anos. Hoje só tem eu de técnico da Ipanema, a maioria das FMs não usa mais operadores, é o próprio locutor. Aqui, eles mesmos, os locutores, fazem a operação no seu horário. Eu edito e monto programas.

 

Mudanças técnicas e atividades

 

     Depois de 99 passou a existir o locutor executivo, que faz a mesa e fala ao mesmo tempo. Tive que dar uma mão pra Mary (Mezzário), para a Kátia, alguns já sabiam um pouco, como o Claudio Cunha e o Piá. Saí nessa época, fiquei seis anos fora e em 2007 voltei, a convite do Eduardo Santos, porque precisavam de um cara que conhecesse a rádio, tivesse a alma da Ipanema. Dizem que eu sou a alma da rádio, porque estou sempre por trás dos bastidores dos locutores. Hoje é assim, tem o estúdio que eu trabalho e faço edição de comerciais, edições de músicas para dentro do computador. Todos os programas que são terceirizados são de minha responsabilidade. É uma relação boa com eles. Alguns programas vêm montados e só faço a programação. Os locutores gravam a voz e a gente bota uma trilha por baixo.  Também faço uma programação musical há quase cinco anos, programo toda a madrugada entre quatro e seis da manhã e entre quatro e oito da manhã nos fins de semana. É música direto, 24 horas. A Ipanema nunca parou. Eu também tinha programas na rádio, como o Bambam Disc Club, mas agora estou só como programador da rádio. 

 

Novidades e bastidores da Ipanema

 

     O que está surgindo aí é o som das ruas, chegando agora o MVBill, com um programa novo, é uma novidade, das nove até às 11 da noite. Outra novidade é o Chimia Geral, de segunda à quinta, e o programa do Fábio Godoh, a partir de 31 de outubro, entre meia noite e duas da manhã. E as madrugadas do Blow Up e o Play List Vodoo também. O legal do Play List é que eu sento ali no computador e programo música por música, a Ipanema não é de repetir música. Como operador e editor, recebo muito material. Principalmente no Facebook, é direto, o pessoal manda. Tem muita coisa que eu passo para o Cláudio (Cunha), para o Pancho, que é o gerente de programação da rádio. Nosso ambiente é  bacana, o único que “xaropeia” às vezes aqui sou eu, que sou mais elétrico. Me sinto muito faceiro aqui, tenho muito orgulho em trabalhar na 94.9. Gosto muito e muita gente que me vê, diz: tu é a cara da rádio! Estou unindo o útil com o agradável. Tive um tempinho na latinha e não gostei muito. Não é o meu chão. Me disseram: “Bambam tu é bom na programação e na edição, não te mete na latinha!”. Acho que a rádio deu uma evoluída, está numa época boa. De momento, assim como está, está legal.

 

Emoções e vivências

 

     Um momento marcante foi um aniversário da Ipanema, em 1997, lá no Opinião, que é prata da casa. Foi emocionante porque a festa estava cheia, muita gente, e começou a subir um por um (os locutores) no palco. A Nara foi a penúltima a subir e falou: “agora eu vou chamar para vocês o cara que ganhou de mim e que é o cara mais famoso aqui do Rio Grande e do Brasil. Vou chamar o Bambam!” E a galera foi à loucura. Aquilo ali me marcou muito. Assim como na festa dos 26 anos, quando o Alemão (Vitor Hugo) me chamou e disse que era o Bambam do Disc Club, a galera gritou muito. Na Ipanema o que mais marca a gente é que tem o agradecimento das pessoas, principalmente quando rola o som daquelas que mandam os seus trabalhos e a gente dá aquela força. Sou também um defensor dos ouvintes, eles ligam, pedem a música, eu guardo e depois toco pra eles. Acho que sou o que mais atende os ouvintes. Definição da Ipanema? É um pop rock, tem um pouco de rap e rock and roll. E eu não fico sem escutar Nirvana, The Who, Led Zepelin, até Pink Floyd. E tem bandas novas que também curto, como o The Hives e Hot Chip.

 

Influência da Ipanema

 

     Eu percebo que eles (os nossos músicos) só têm que agradecer, botar as duas mãos para o céu. Graças a Deus que existe a Ipanema. Senão eles não tinham onde tocar. Olha quantas bandas a Ipanema já lançou, é muita gente, muita banda boa. Sou suspeito para falar, mas digo em todos os lugares: a melhor rádio do mundo é a Ipanema. A outra era a Fluminense, do Rio. Mas agora só tem nós, e vamos tocar o barco, vamos pros 28 anos e vamos pensar os 29!

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