A história do Beco do Poço

Av. Borges de Medeiros
Extensão: da Av. Mauá até a Av. Padre Cacique
Foto: Cesar Lopes/PMPA

 

A Av. Borges de Medeiros estreia a nova seção do JM sobre a história das ruas do Centro. Uma das mais importantes vias da capital, ela surgiu como Travessa do Poço na década de 1830. O nome peculiar é derivado da Rua do Poço, atual Jerônimo Coelho, onde ficava um poço municipal — correlações literais entre nome e atividade da rua eram bem comuns naquela época.

A travessa começou a expandir e passou a ter diferentes nomes, dependendo do trecho: o mais antigo, entre as ruas Duque de Caxias e Riachuelo, continuava Travessa do Poço; o segundo, da Riachuelo até a Gen. Andrade Neves, era o Beco de Freitas; o último, aterrado mais tarde da Duque para o Sul, era o Beco do Meireles.

Em 1871, a Câmara Municipal resolveu dar o nome de Rua General Paranhos para toda a via — mas a população continuou chamando de Beco do Poço, por força do hábito. Mesmo com o reconhecimento municipal, a rua, prejudicada pela topografia com suas muitas ladeiras, não era respeitada e se tornou foco de crimes e prostituição.

Planos de melhorias começaram a surgir em 1894, com o intendente Alfredo Azevedo, que pretendia alargar a via por concessão privada. Não foi adiante. Em 1914, na gestão de José Montaury, teve início o Plano Geral dos Melhoramentos, específico para esse alargamento. Mas quem realmente abriu a avenida, na década de 1920, foi o seu sucessor, Otávio Rocha.

 

A expansão

A avenida estava entre as metas mais importantes da administração de Rocha. O projeto de ampliação, inicialmente apenas no trecho entre as atuais José Montaury e Coronel Genuíno, ganhou importância viária e foi desenvolvido para toda a sua extensão. Rocha ordenou a redução das rampas de acesso à Duque, o rebaixamento de 13 m. e a construção do viaduto de cimento armado para a passagem da Duque. A avenida foi projetada com 21 m de largura por 1.050 m de extensão, com linhas de bondes interligando a cidade.

Até janeiro de 1931, os trabalhos seguiram normalmente, inclusive com a demolição de 81 prédios dos arredores. Porém, dificuldades vindas da crise econômica de então e de questões judiciais com proprietários de imóveis expropriados adiaram a conclusão, que aconteceu apenas em 1935, na administração de Alberto Bins.

A via foi estendida até a Praia de Belas com o Plano Diretor de José Loureiro da Silva em 1943, e até a Padre Cacique com o posterior aterro da área. Hoje ela leva o nome do mais longevo governador do RS, que comandou o estado por 25 anos durante a República Velha. A avenida abriga tanto comércio quanto pontos de referência da cidade, como o Viaduto Otávio Rocha, a Esquina Democrática e, claro, o Mercado Público.

 

Referência: “Porto Alegre: guia histórico”, de Sérgio da Costa Franco (Editora da Ufrgs, 2006, 4ª ed.)

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