A Feira que vai além dos livros

A 63ª Feira do Livro de Porto Alegre chega na reta final reafirmando sua importância para a cultura e a educação, dialogando com todos os públicos e caminhando em par com a sociedade. Amparada em uma vasta programação, a Feira fez do diálogo o princípio para aproximar livros e leitores.

 

 

Foto: Fabiane Pereira

 

Novembro é sempre uma época especial para Porto Alegre. A Praça da Alfândega ganha novos ares. Um trecho da Rua da Praia une a sua história com os capítulos de tantas outras que por ali se encontram. A Feira do Livro de Porto Alegre chega ao final de sua 63ª edição com grandes destaques na programação iniciada no último dia 1º. Neste ano, o evento teve como eixo principal a diversidade étnica, geográfica, etária e social. Recebeu expoentes da literatura brasileira atual e nomes já consagrados, além de estrangeiros vindos da França, Nigéria, Angola e Portugal, como também dos chamados “países nórdicos”, região homenageada neste ano.

 

Diálogo em sociedade

Desde o seu início, a Feira se propôs a funcionar como um ponto de convergência entre culturas, ideias e saberes e um espaço para que vozes e palavras pudessem ser ouvidas. Com isso, a programação se compôs de uma série de atividades voltadas à autoria feminina, negra, indígena e LGBT. Temas como ciberfeminismo, literatura de autoria negra e transexualidade estiveram em pauta nos últimos dias. Entre os destaques estão nomes como Conceição Evaristo, Daniel Munduruku, Djamila Ribeiro, Marie-Heléne/Sam Bourcier e Sérgio Vaz, que já estiveram na Praça da Alfândega. Wole Soyinka, nigeriano agraciado com o Nobel de Literatura em 1986, é esperado no último final de semana da Feira e fará uma sessão de autógrafos do seu livro “O leão e a joia” no Theatro São Pedro dia 19/11, a partir das 12h.

 

Presença nórdica

Expandindo suas fronteiras até as frias terras do Norte do globo, a Feira do Livro homenageou os países nórdicos, grupo formado por Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. A literatura da região está pautando grande parte da programação, com a presença de nomes da escrita contemporânea dos locais. Entre eles, Carl Jóhan Jensen, Christina Rickardsson, Kim W. Andersson, Ointen Endsjo, e demais estudiosos, ilustradores e escritores das mais variadas vertentes estão marcando presença para autografar suas obras e entrar em contato com a cultura local. Outras personalidades estrangeiras, como o embaixador da Suécia, Per-Arne Hjelmborn, e o Ministro da Educação sueco, Gustav Fridolin, também se fizeram presentes, falando sobre a cultura e a educação em seu país.

 

Parceria inédita

Pela primeira vez, a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) estabeleceu uma parceria com a Bienal do Mercosul. Com isso, ocorreram algumas atividades baseadas no tema do Triângulo Atlântico: o encontro entre África, América e Europa. Foram instalados quatro contêineres em frente ao Santander Cultural, escondidos sob três grandes mantos pretos. Os contêineres fazem a ligação poética da Bienal do Mercosul com a Feira do Livro de Porto Alegre. Em cerimônia realizada na quarta-feira (8), foi lançada oficialmente a colaboração entre as duas instituições.

 

Tempo para ler… Eu tenho!

Uma reflexão acerca da forma como se utiliza o tempo e a grande importância que a leitura exerce na vida de cada pessoa são questionamentos levantados pela campanha publicitária da Feira, “Tempo pra ler, todo mundo tem”. A frase vai além do seu contexto publicitário e prova, na prática, que tempo é só uma questão de prioridade. A campanha se empenhou em atingir o leitor – ou futuro leitor – de maneira clara, direta e muito original. De acordo com Pedro Backer, sócio da Agência Bonaparte, a ideia funciona com duas linhas de conteúdo. Inicialmente foi criada uma série de vídeos com conteúdo supérfluo – como aqueles que, vez ou outra, circulam pelas redes – mas que chamasse a atenção das pessoas e pegasse o público em flagrante. Ou seja: desperdiçando tempo. “Estamos no meio da campanha, mas já atingimos 405 mil pessoas nas redes sociais, apenas com os vídeos. São 119.116 minutos gastos assistindo aos nossos vídeos. Isso dava para ler 337 edições do ‘O Continente I’, do Erico Verissimo”, diz Pedro.

Vários começos

A outra ideia da campanha funciona com cards de internet para as redes sociais e cartazes espalhados entre as bancas expositoras. Uma imagem comum, com uma frase pequena escrita em letras grandes. No momento em que as pessoas param para ler, não se dão conta de que é o começo de um livro. Marco Cena, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, enxerga a ideia com perspectivas positivas e ressalta a importância da administração do tempo. “Nós estamos sempre procurando saber por que as pessoas não leem e tentando fazer com que elas leiam mais. Leitura não é questão de tempo, mas de prioridade. Precisamos aprender a priorizar coisas, e a leitura é uma delas. Então essa campanha é realmente uma provocação”, diz.

 

Colunistas na Feira

Dois dos colunistas do Jornal do Mercado estão entre os lançamentos da Feira este ano. Felipe Daiello, que assina Mercados do Mundo, lança seu 11º livro, “Ventos do Deserto”, dia 18/11, às 18h30. Ele também está na coletânea “Literatura & Cinema”, organizada por Lotário Neuberger e Rafael Bán Jacobsen, com lançamento dia 6/11. A colunista e jornalista Letícia Garcia, que assina Cultura Gaúcha, participa do seu segundo livro de crônicas: “Há de ti, Rubem Braga! Santa Sede em memória do mestre”. A coletânea, que reúne cronistas sob a orientação de Rubem Penz, foi lançada na Feira dia 7/11 e terá autógrafos também em 30/11, às 19h, no Bar Apolinário.

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