À espera da vistoria

À espera da vistoria

 

Após ser concluída em fins de 2013, a instalação provisória das sete bancas atingidas pelo incêndio de julho aguarda a vistoria dos bombeiros para abrir as portas. Segundo a prefeitura, a atualização do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Mercado é condição para que os bombeiros sigam com o trabalho.

 

 

A vistoria do Corpo de Bombeiros é a única pendência para que os restaurantes Mamma Julia, Sayuri, Taberna 32, Telúrico, o Bar 26 (Atlântico), a confeitaria Casa de Pelotas e a sorveteria Beijo Frio voltem a funcionar na área construída no Espaço de Eventos. Vistorias da Vigilância em Saúde e dos órgãos da prefeitura já foram realizadas, sistemas como os de exaustão e de esgoto estão prontos, equipamentos estão instalados. “A qualquer hora os bombeiros podem passar pelo Mercado e fazer a vistoria”, informa João Alberto Cruz de Melo, do Restaurante Gambrinus, vice-presidente da Associação de Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc).

 

Sete meses

 

Estão todos na expectativa deste retorno, há muito esperado: em fevereiro completam sete meses do incêndio que atingiu o Mercado Público, sete meses em que os restaurantes do segundo piso, diretamente atingidos, estão parados. Entre o projeto da instalação e a obra concluída foram poucos meses, com um investimento dos próprios permissionários que passou dos R$ 200 mil, como informa Francisco Nunes, proprietário do Sayuri, que está à frente da comissão dos mercadeiros atingidos pelo incêndio.  A vistoria foi solicitada no final do ano passado. “A gente já tem protocolado o pedido desde 23 de dezembro”, diz Francisco. “Estamos prontos, só esperando isso”. Segundo a prefeitura, o Corpo de Bombeiros aguarda a atualização do TAC do Mercado, para então realizar a vistoria. Reuniões entre Ministério Público, prefeitura e Ascomepc foram realizadas ao longo de janeiro e seguem este mês para resolver as questões em aberto.

 

O espaço

 

O projeto da instalação provisória é do arquiteto Teófilo Meditsch, que trabalhou na reforma do Mercado, com execução do engenheiro Régis Pegoraro. Cada restaurante conta com uma cozinha individual, sobre a qual está instalada uma coifa para coletar fumaça e resíduos de gordura, conduzidos por um duto para fora do prédio – tudo para não prejudicar a circulação interna. Os sete estabelecimentos têm uma área de cerca de 20 m² cada. Mais de 100 mesas, com mais de 200 lugares, estão dispostas no espaço, com nove ventiladores e circuladores de ar. Pela área reduzida, cada restaurante vai trabalhar com seus melhores pratos. A Casa de Pelotas é uma que vai trazer uma seleção dos melhores doces, como quindim, bem-casado e pastel de Santa Clara. “Já fiquei criando expectativa de uma semana para outra – é na próxima semana que abre, é na outra”, desabafa a proprietária da Casa, Márcia Maria da Silva Carvalho. “Agora é esperar para ver o que vai acontecer”.

 

Chega parte dos recursos

 

Parcela dos recursos federais para a restauração do Mercado foi enviada a Porto Alegre no final de janeiro.

 

Anunciada em novembro, a liberação de R$ 6,5 milhões – primeira parte dos recursos para a recuperação do Mercado – começou a chegar agora. Na última semana de janeiro foi liberada a quantia de R$ 2,6 milhões pelo governo federal, conforme informa Antonio Lorenzi, coordenador de próprios/SMIC. A empresa contratada já fixou os tapumes e deve concluir este mês a instalação da bandeja de proteção na calçada e a limpeza restante da área atingida. “Estão preparando o espaço para começar a obra propriamente dita de restauração, que é a reconstrução das lajes e do telhado”, diz Lorenzi. A reforma do Mercado tem o valor de R$ 19,5 milhões, com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas. A restauração da estrutura e dos telhados deve durar oito meses.

 

Segundo piso

 

Enquanto algumas bancas do segundo piso já estão abertas, como a Barbearia Central, a grande maioria segue sem poder funcionar, no aguardo do restabelecimento da energia. Mas o trabalho já está em execução: a empresa Mercur, vencedora da licitação, iniciou a obra na rede de energia e deve concluir entre fim de fevereiro e início de março.

 

Foto: Letícia Garcia

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