A diferença entre beber e degustar

CERVEJARIA FAROL

A diferença entre beber e degustar

“A melhor cerveja na mais bela cervejaria do Brasil” é como se define a Farol nos seus materiais promocionais. Sem dúvida, o lugar surpreendente. A quatro quilômetros do centro de Canela, cercada por vegetação serrana, com um belo biergarten, a Cervejaria Farol se destaca por uma torre de 32 metros de altura, representando um farol.

      Mateus José da Silva, 28 anos, formado em enologia, técnico cervejeiro e cursando engenharia de alimentos, é o cervejeiro da Farol, onde está desde fins de 2011. Ela foi fundada em 2003 por um grupo de empresários alemães, que repassaram o empreendimento para outras administrações. “A cerveja artesanal está vivendo o melhor momento, todos os empresários do ramo de microcervejeiros são sérios. Produzem uma cerveja diferenciada, não só como negócio, mas como filosofia”, diz Mateus. Explica que ela, porém, tem custos mais elevados e por isto é mais cara. O importante, na sua opinião, é manter a qualidade, buscando os melhores ingredientes, matérias primas e equipamentos para se ter um produto final de muita qualidade.

 

A especialização do cervejeiro

     O cervejeiro explica que ainda trabalha muito com chope, mas que a tendência natural é migrar para a garrafa. “Manter o chope traz mais dificuldades, a garrafa é mais simples”, constata. Mateus saiu da indústria da vitivinicultura, e trabalha há 11 anos no setor cervejeiro, Lembra que em 2000 começaram a surgir as primeiras microcervejarias. “Senti que era algo que poderia ter um crescimento grande e entrei. Não diria que foi por acidente, mas por gostar do produto”, afirma. Além da Farol, presta assessoria em outras fábricas, além de ministrar cursos.

 

O crescimento dos cervejeiros e microcervejarias

    A bebida mais lembrada quando se fala em harmonização é o vinho, nunca a cerveja. Uma questão cultural, na sua avaliação. “O advento dos sommeliers de cerveja vai contribuir muito para isto. Vai muito além de tomar uma estupidamente gelada, na beira da praia, com associação da mulher gostosa, do futebol”. Mas observa  que o consumo está crescendo: “As pessoas estão buscando produtos diferenciados, querendo sair da mesmice. As cervejas produzidas no Brasil são muito semelhantes e o paladar está ficando mais aguçado”. E, para atender esta demanda de novos e exigentes consumidores, cresce a cada dia o número de cervejeiros caseiros e microcervejarias. A venda de matérias primas em quantidades fraccionadas facilitou muito isto. “Há 10 anos não se encontrava com a facilidade de hoje”, diz. 

 

As limitações da matéria-prima e tributação no Brasil

    No Brasil, matéria-prima só cevada e malte Pilsen, que é 90% do tipo de cerveja artesanal produzida aqui. Maltes especiais e lúpulos, só importados da Alemanha ou Bélgica. Mateus lembra também as dificuldades causadas pelas questões governamentais fazendo com que uma empresa que produz oito mil litros/mês tenha que pagar a mesma tributação que as grandes cervejarias. A solução seria enquadramento no Simples, na sua opinião. Já em relação aos equipamentos, Mateus diz que hoje já se tem bons fornecedores, com produtos de alta qualidade produzidos no Brasil, aqui, inclusive.

 

Degustação e harmonização em restaurante especializado

       O foco da Farol é trabalhar com o turista, diretamente com hotéis e operadoras. Com uma cozinha especializada em harmonizações, o restaurante, com ambiente diferenciado, reúne principalmente casais e um público de meia idade. Apreciadores que já conhecem relativamente as cervejas artesanais que devem ser degustadas na temperatura certa. “Se for extremamente gelada você não vai sentir o prazer que ela dá de refrescância, dos sabores secundários, não vai sentir nada – vai ter uma retração das papilas gustativas que não permitem você identificar esses sabores”, ensina Mateus.

 

(BEBA COM MODERAÇÃO)

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