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A deliciosa tradição do Natal alemão

Especial de Natal

 

Oscar Endress, muitos natais para contar

Aos 76 anos, ele continua em plena atividade na tradicional Banca 43. Uma das figuras mais históricas do Mercado Público, Oscar Endress, 55 anos de Mercado, já viu muitos natais entre as suas bancas. Num deles, há 15 anos, chegou a vender 400 perus. Hoje a preferência, entre os alemães, são o pato e marreco. Ele lembra que há 50 anos, 80% dos seus clientes eram ou descendentes, ou imigrantes alemães. Hoje a tradição continua, embora com novas gerações e outros hábitos. Como dispensar o quebra-nozes, por exemplo.

“A ceia natalina do europeu de modo geral, não só a alemã, se baseia muito em frutas sêcas e vários tipos de nozes, ameixas, amêndoas, avelãs e os tradicionais doces, como stollen. Pão de mel lembra sempre o natal alemão, que também tem muita variedade de carnes, como peru, aves, tudo sempre acompanhado de frutas”, diz Endress. Outras tradições que “o alemão gosta muito”, segundo ele é o presunto parma, cru, com aspargos, um prato típico. Afirma que o alemão é o povo que mais cultua o natal na Europa. Com um calendário com chocolate, um mês antes todos já estão vivendo o clima natalino, principalmente as crianças, que comem casinhas de pão de mel.

 
Panetone X stollen
Endress é taxativo: o italiano faz o panetone, o alemão faz o stollen, que é mais sofisticado, na sua opinião. “É um pão de frutas. Vai mais recheio e frutas cristalizadas, figo, casca de laranjas, cerejas, varia. Pode ser com requeijão quark, que é maravilhoso também”, diz o experiente mercadeiro, afirmando que na sua banca tem tudo para fazer um bom stollen, menos a farinha de trigo, a Banca também oferece o produto pronto. O modo de fazer é simples. “A fruta vai entrando na massa na hora de fermentar. Depois é montado na bandeja que vai para o forno, recebendo manteiga quente e pó de açúcar para pulverizar – é um bolo compridinho, que sai em formato de um pão francês”, explica.

Pratos quentes, as delícias alemãs
Já famosos, os pratos quentes da cozinha alemã trazem, normalmente, assados com porco, inclusive até com doce, pendendo mais para o agri-doce, com sabores cítricos e alaranjados. Nessa linha o pato com laranja é um clássico, tendo o apfelstrudell com nata batida, como sobremesa. Outros pratos tradicionais são o pato com repolho roxo, com purê de maç e o pato à Califórnia, todos “com bastante fruta na volta, como gosta o alemão”, explica Endress. O costume do prato na culinária germânica, segundo ele, é porque na região agrícola se cria muito pato e marreco, que combatem os insetos predadores das lavouras.

Queijos, vinhos, doces e outras especiarias
Apreciadores de queijos mais fortes, os alemães optam, invariavelmente, por ementhal e gruyère para o rackellet. Para acompanhar, vinho branco, levemente adocicado, suave. Ou aguardentes de frutas: pêra, maçã ou cereja. Além do apfelstrudell (de massa folheada com recheio de purê de maçã), pelas terras germânicas se aprecia também geléias, recheios e a famosa torta de cereja ácida e silvestre, também conhecida como a “torta da floresta negra”. Outras pequenas delícias como bolinhos de pimenta e bolachinhas de canela. Endress conclui dizendo que os alemães também prezam muito a cerimônia religiosa

e a decoração.

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