A cadeira do Treviso

Estreia desta edição, a coluna “Mercado antigo” irá trazer a cada JM uma história diferente sobre este querido prédio. Curiosidades, lendas de corredores e a rotina de tempos passados terão espaço aqui. Abrindo a seção, a memória por trás da cadeira pendurada na parede do Restaurante Gambrinus.

 

Foto: Letícia Garcia

Os anos 1940 foram época de boemia no Mercado Público. A vida noturna agitada do Centro encontrava seu reduto nos muitos bares e restaurantes do já antigo prédio da capital. Naval, Gambrinus, Provenzano, Graxaim e Treviso eram alguns dos que abrigavam os mais diversos tipos, de trabalhadores noturnos a jornalistas, de cantores a boêmios incorrigíveis. O Treviso ficava aberto 24 horas e era ponto de encontro de muitas vozes. Por essa época, Francisco Alves, o Chico Alves, vinha se apresentar constantemente na capital e sempre passava pelo restaurante. Chico era um dos cantores mais populares do país na chamada “era do rádio”, inclusive ganhando o apelido de “o rei da voz”. Conta-se que foi nas mesas do Treviso que Chico encontrou e incentivou Lupicínio Rodrigues a seguir carreira musical. Aliás, não nas mesas: na mesa, pois ele sentava sempre no mesmo lugar. Foi uma comoção geral quando este cliente ilustre morreu em um acidente de carro em 1952. Para homenageá-lo, o dono do Treviso resolveu guardar sua cadeira de costume como lembrança. O tempo passou, o Treviso foi perdendo a força e fechou na década de 70. Nos anos 80, Tércio Kauer comprou o espaço e encontrou ali a famosa cadeira. Mandou restaurá-la e pendurou-a na parede de sua Sorveteria Martini, o Frescão do Centro. Algum tempo depois, Kauer repassou a cadeira para Antonio Melo, então dono do Restaurante Gambrinus, que também a colocou na parede. E é no Gambrinus que ela continua hoje, homenageando em silêncio essa voz da boemia.

 

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