75 anos do Viaduto Otávio Rocha

1914. Começa a Primeira Guerra Mundial, na Europa. Aqui, na pequena e histórica província, começava a ganhar vida o Viaduto Otávio Rocha – aquele que todo mundo chama de “Viaduto da Borges”. O Plano Diretor da cidade previa a abertura de uma rua para ligar as zonas lestes, sul e central da cidade, até então isoladas pelo chamado “morrinho”. Já era, também, prenúncio da guerra urbana que as cidades começariam a travar para a expansão urbana, fruto do crescimento em pleno início do século XX. Idealizado pelo intendente da época, Otávio Rocha, e projetado pelos engenheiros Manoel Itaquy e Duílio Bernardi, o Viaduto foi construído pela empresa alemã Dyckerhoff e Weidmann, entre 1928 e 1932. A colocação dos trilhos dos bondes e o pleno aproveitamento da recente, então, Avenida Borges de Medeiros, diz Sérgio da Costa Franco em seu “Guia Histórico de Porto Alegre”, encontraram problemas com desapropriação de propriedades na região.

A estrutura
O viaduto possui uma estrutura de concreto armado, com três vãos e quatro rampas de acesso para pedestres. Na parte central de cada rampa, há uma escadaria que leva à rua Duque de Caxias. Todo o revestimento foi feito em reboco de pó de granito, de cor cinza, dando um aspecto de pedra aparelhada.

Saiba o que tem (e oferece) o Viaduto Otávio Rocha

Nem todo mundo conhece bem o Viaduto Otávio Rocha, normalmente usado como passagem de quem vem, ou vai, do chamado centro histórico e comercial da cidade até as imediações da Praia de Belas, Washington Luís (rumo ao Gasômetro) ou até mesmo para a Cidade Baixa – isso no caso dos pedestres. Pois, o viaduto tem, a exemplo do Mercado Público, várias lojas com seus permissionários que oferecem vários serviços e produtos ao público. Depois de quatro anos de reforma, o viaduto foi reinaugurado em 2001. Ele foi reformado artística e culturalmente, estando tombado pelo patrimônio histórico do município desde 1988. Com a reforma, todas as suas 36 lojas foram restauradas e ganharam novos pisos, esquadrias, instalações elétricas, hidráulica e telefônica. Atualmente ele possui 34 lojas de diversas atividades, como: lancherias. artesanato, banheiros, lojas de discos, serviços de fotocópias, produtos para mágicos, relojoeiro, lotérica, artigos religiosos, barbearia e a loja Etiqueta Popular. A loja da AGADISC, de músicos independentes gaúchos, está fechada.

 

A situação atual de um bem tombado pelo Patrimônio Histórico

Um dos poucos espaços com vida nas escadarias superior do viaduto é o Bar e Restaurante Tutti Giorni, de Ernani Macchioretto. O bar existe há 17 anos, funciona normalmente ao meio dia, mas só abre às terças-feiras à noite por um motivo especial: as reuniões da GRAFAR, Grafistas Associados do Rio Grande do Sul, que reúne basicamente cartunistas, chargistas e quadrinistas, alguns dos mais conhecidos do Rio Grande, como Edgar Vasques, Santiago, Canini, Uberti, entre outros. Para Ernani, uma das propostas para revitalizar o viaduto era levar o “camelódromo” para lá. “Não iriam gastar o que estão gastando, atrairia inclusive os turistas, uma vez que os hotéis estão aqui todos na volta e todos sairiam ganhando”. Se a proposta é viável, ou não, somente com uma avaliação técnica, mas o certo é que o viaduto, tanto em baixo, quanto em cima precisa de profundos cuidados e sua revitalização passa pela sua ocupação. Vítima de constantes depredações e atos de vandalismo, como roubos e pichações, o viaduto ainda sofre com as paradas de ônibus, quando se transforma num terminal, sem nenhum tratamento digno de um bem cultural tombado, como diz Adacir Flores, que há 20 anos está no local com uma loja de discos e livros usados, inclusive com algumas raridades. Ele é o presidente da ARCOPV, Associação dos Moradores do Centro e Condôminos dos Altos do Viaduto. Adacir informa que estão sendo feitas reuniões com várias partes interessadas no futuro do viaduto. Das reuniões participam vários órgãos públicos, como a SMIC, o DMLU, a SMOV, a FASC e o CAR – Centro Administrativo Regional para discutir e buscar propostas para a revitalização do viaduto. “Os problemas são muitos, com moradores de ruas fazendo as escadarias de banheiro público ocupando as galerias fazendo pequenos furtos, trazendo insegurança para os moradores da região”, diz Adacir. Entre as reivindicações dos permissionários estão a revisão dos valores dos aluguéis, a questão das paradas de ônibus, a segurança e limpeza. Questões fundamentais para que o velho viaduto volte a ter o seu brilho. Uma situação que a Prefeitura e a sociedade civil pretendem começar a mudar

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