38 dias de espera

38 dias de espera

 

A vida no Mercado esteve suspensa por mais de um mês, entre reuniões, limpezas e vistorias. O correr dos dias até a reabertura pareceu mais lento para os mercadeiros e amantes do Mercado, que encaravam os portões fechados, esperando a boa notícia. Confira o que foi feito pelo Mercado nesses 38 dias até a reabertura.

 

Passos para o recomeço

 

No dia 6 de julho, por volta das 20h30, um curto-circuito inicia o fogo no segundo piso do Mercado Público, no lado que faz frente para a Av. Júlio de Castilhos. Bombeiros de Porto Alegre e região metropolitana são acionados. As chamas tomam metade do telhado de madeira e consomem as bancas do segundo piso que fazem frente à Júlio de Castilhos, espalhando-se em U para os lados superiores da Av. Borges de Medeiros e da Praça Parobé, onde atinge cerca de metade da extensão. Por volta das 22h30, duas horas após o início do incêndio, as chamas são controladas. A chuva tardia chega perto da meia-noite. Equipes dos bombeiros seguem combatendo focos de incêndio no interior do prédio. O prefeito José Fortunati afirma que buscará recursos para a reconstrução junto ao governo federal, e a presidenta Dilma Rousseff lamenta pelo incêndio no Mercado, “alma de Porto Alegre”.

No dia seguinte, 7 de julho, acontece a primeira reunião entre permissionários e Prefeitura Municipal para tratar do assunto. O prefeito José Fortunati instala um grupo de trabalho, encabeçado pelo vice-prefeito Sebastião Melo e formado por técnicos da prefeitura, direção da Ascomepc e autoridades de segurança do Governo do Estado. Ainda no domingo, técnicos da Smov (Secretaria Municipal de Obras e Viação) e do Corpo de Bombeiros fazem uma vistoria geral dos prejuízos, e a perícia começa a trabalhar na identificação das causas do incêndio. No início da tarde, os permissionários são autorizados a retirar produtos e documentos das bancas, trabalho se estende sob a chuva. As ruas do entorno ficam parcialmente isoladas, e as paradas da Praça Parobé que ficavam ao lado do Mercado são deslocadas. Uma lona é colocada sobre a subestação da CEEE no Mercado.

Dia 8 de julho, o prefeito José Fortunati participa de reuniões em Brasília sobre a situação do Mercado. Em reunião com o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, ficou acertado que os permissionários poderão receber a média salarial dos três últimos salários e qualificação profissional. No mesmo dia, o Instituto Geral de Perícias (IGP) e a 17ª Delegacia de Polícia da Capital concluem a perícia do local, indicando que a causa do incêndio foi um curto-circuito que se propagou pela rede elétrica.  É confirmado que os equipamentos de combate ao fogo estavam em condições de uso. Cerca de 10% da área total do Mercado foi atingida pelo fogo.

Dia 9 de julho, a seguradora começa a vistoria no Mercado, e autoriza a limpeza do segundo piso. O seguro para 100% do Mercado chega a R$ 16 milhões. No mesmo dia, a ministra de Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, confirma que as obras de restauração do Mercado serão incluídas no PAC Cidades Históricas. Dia 10 de julho, equipes do DMLU começam a retirada dos entulhos. A Ascomepc restabelece a água, e os permissionários trabalham na limpeza de suas bancas.

 

Alternativas para funcionar

 

 O carinho da população pelo Mercado Público se manifesta dia

12 de julho, com o Abraço ao Mercado, organizado por Auber Lopes de Almeida, Carlos Hoffmann, Iara Ya, Jane Pires Costa Coelho, Márcia Barros e Valter Cruz através da rede social Facebook.

No dia 15 de julho é concluída a limpeza do segundo piso, e o DMLU desloca 15 garis em caráter definitivo para manutenção do espaço, até a reforma total do prédio. Após a limpeza, a Smov segue o trabalho com o laudo estrutural, documento necessário para a reabertura do Mercado. Com a rede elétrica comprometida pelo incêndio , a prefeitura contrata a empresa Mercúrio, começa a instalação de uma rede paralela, condição fundamental para que as bancas voltem a funcionar. O trabalho é interrompido dia 22 de julho, quando 570 metros de cabos elétricos que já haviam sido instalados são roubados. Recomeçam em seguida.

Em 26 de julho inicia o “loneamento”,  obras de isolamento do segundo piso com uma película que protege o primeiro piso contra chuvas e ventos, pela empresa Construlix. No mesmo dia, integrantes do Compahc (Conselho do Patrimônio Histórico Cultural), acompanhados pelo coordenador da Memória Cultural da SMC, Luiz Antônio Custódio, e do secretário da Cultura, Roque Jacoby, visitam o prédio para analisar alternativas para restauração. A expectativa para a recuperação total é de dez meses.

 

Rumo à reabertura

 

No final do mês, dia 31 de julho, a Smov divulga o laudo estrutural do prédio, que aponta pendências a serem resolvidas para a reabertura parcial, dentre eles o isolamento das partes que estão sendo reparadas, para evitar a queda de materiais, a remoção das instalações elétricas que foram danificadas e a reconstituição dos alimentadores de baixa e média tensão, nos dois pisos. O laudo também pede a apresentação de um relatório com a revisão das instalações elétricas de cada permissionário, e a verificação de possíveis pontos de vazamento de gás. As últimas exigências são em relação à reconstituição do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) e a adequação do Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI), como a sinalização de saídas, alarme e iluminação de emergência. São apontadas 29 bancas do primeiro piso que precisam de isolamento e revisões para serem abertas.

 

Semana decisiva

 

Dia 5 de agosto, véspera de completar um mês fechado, é firmado entre Ministério Público, Prefeitura de Porto Alegre, Corpo de Bombeiros e Ascomepc o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), indicando os pontos para a reabertura do Mercado. O Termo prevê a restauração em três etapas, com a reabertura parcial do prédio a partir delas: primeiramente, a parte do andar térreo que não foi atingida – as bancas da área central, as bancas que fazem frente para o Largo Glênio Peres e metade das frentes para a Av. Borges de Medeiros e Praça Parobé –, seguida das lojas do segundo piso que não foram atingidas e, por fim, das lojas localizadas abaixo dos estabelecimentos destruídos pelo incêndio – que fazem frente para a Av. Júlio de Castilhos e a outra metade das frentes para a Borges e Parobé. Para ser reaberto, cada quadrante deverá ter todos os sistemas de prevenção instalados, o que será comprovado por uma vistoria do Corpo de Bombeiros 48 horas antes da abertura, assim como uma vistoria da Vigilância da Saúde. As exigências dos bombeiros são finalizadas pela empresa Estinsul, como instalação de extintores de incêndio, iluminação de emergência, sinalização de saída e alarme antifogo, troca das mangueiras, questões que estão sendo finalizadas pela empresa Estinsul. O PPCI do Mercado está sendo examinado pelo 1º CRB. No mesmo dia, o prefeito José Fortunati entrega à ministra de Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, o projeto de recuperação do Mercado, garantindo assim a inclusão no PAC Cidades Históricas e o aporte de recursos estimado em R$ 19,5 milhões. O Ministério divulgou a reconstrução do Mercado em três fases. Na primeira será feita a instalação da parte elétrica, que ficará pronta em fevereiro do próximo ano. A segunda etapa será a de reconstrução do telhado, danificado no incêndio. Por último, a recuperação da fachada e outras questões como acessibilidade. Nesta semana, a Ascomepc restabelece as linhas telefônicas, que tiveram todos os cabos queimados pelo incêndio.

Em 8 de agosto, e energia é restabelecida nas bancas previstas para a reabertura. No teste, o sistema da subestação paralela não apresenta falhas, mas seguirá monitorado por técnicos enquanto estiver em uso. A CEEE revisa durante essa semana todas as bancas, conferindo a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), para ativar a energia em todos os estabelecimentos. Dia 9 de agosto, o Corpo de Bombeiros e a Vigilância da Saúde fizeram vistorias no espaço do Mercado e nas bancas prontas para a reabertura. Os bombeiros observaram os itens de segurança exigidos no TAC, como extintores de incêndio, sinalização de saída, iluminação de emergência e alarme, e deram o aval para a reabertura. A equipe de Vigilância de Alimentos verifica higienização, equipamentos e temperaturas, procedência e condição dos alimentos em cada banca, e também libera todas as bancas. Na mesma tarde o prefeito Fortunati anuncia a reabertura do Mercado para terça-feira, 13 de agosto, reafirmando o compromisso de continuar o trabalho para a reabertura total do Mercado. Um plano de gerenciamento de riscos, para a conservação preventiva do patrimônio histórico, e uma brigada de incêndio para o Mercado são anunciados no dia seguinte.

 

Foto: Letícia Garcia

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