200 anos de Caminho Novo

Rua Voluntários da Pátria
Extensão: da Rua Marechal Floriano Peixoto até a Rua Ricardo Seibel de Freitas Lima
Foto: Domínio Público

Uma das mais extensas ruas da cidade é também uma das mais antigas. A história da Voluntários, que começa no Centro Histórico e atravessa quatro bairros, tem início em 1806, quando o governador Paulo José da Silva Gama resolveu abrir uma nova via de acesso à então Vila de Porto Alegre.

Concluída pelo seu sucessor, Dom Diogo de Souza, tinha 4 km e ia até a Várzea do Gravataí. Chamada de Caminho Novo, tornou-se uma rua de passeio à beira do Guaíba. A sua veia comercial foi prevista por Joaquim José de Azevedo, que instalou o primeiro estaleiro junto ao rio, perto da atual Praça Rui Barbosa. Mas ali continuaram sendo maioria as chácaras, árvores e jardins.

O desenvolvimento urbano do Caminho Novo demorou muitos anos, como o de toda Porto Alegre, devido à Revolução Farroupilha: fiel ao Império, a cidade esteve sitiada pelos rebeldes por quase todo o período. O fosso que protegia a capital, inclusive, cortava a Voluntários na altura da atual Rua Pinto Bandeira, equipado com um grande portão, uma ponte levadiça e artilharia a postos.

A prefeitura lutou por 30 anos para conservar a via como pública. Eram muitas as reivindicações de particulares, como dos herdeiros de Antônio Pereira do Couto e de Cel. Vicente Ferrer da Silva Freire. Só em 1875 o município passou a conquistar pontos para logradouro público, começando mais ao norte.

A rua recebeu o nome atual em 1870, em homenagem aos brasileiros que lutaram na Guerra do Paraguai. No mesmo ano, a Câmara Municipal iniciou o calçamento até a Rua do Rosário — eram muitas as reclamações de atoleiros, especialmente pelas carretas que percorriam este caminho para chegar ao Mercado Público.

Pouco depois, houve uma grande alteração com a chegada da ferrovia para São Leopoldo, que tinha a estação central na esquina da Voluntários com a Rua da Conceição. Foram muitos os protestos de moradores e da própria Câmara.

A ferrovia, somada ao estabelecimento de trapiches, depósitos, estaleiros e oficinas na margem do rio, acabaram traçando o destino da Voluntários. Ela deixou de ser área de passeio para se tornar uma rua de armazéns de atacado e indústrias, que passaram a prosperar ali.

No final do século XIX, foi feito o calçamento de toda Voluntários. Também começaram os esforços para retirar dali a Praça das Carretas, onde hoje é a Praça Rui Barbosa, o que foi conseguido em 1894 com a criação dos Campos da Várzea, atual Redenção.

A construção do novo Cais do Porto nas décadas de 1950–60 levou ao aterro e ao isolamento da Voluntários do rio, fazendo com que muitas empresas, indústrias e clubes náuticos se mudassem dali. Hoje, a Voluntários é a mais importante via de comércio popular da cidade.

 

Referência: “Porto Alegre: guia histórico”, de Sérgio da Costa Franco (Edigal, 2018, 5ª ed.)

COMENTÁRIOS