144 anos do Mercado Público

144 anos do Mercado Público

O aniversário da superação

 

 Embora tenha acontecido há poucos meses, o incêndio já parece distante. Pelo menos era esse o clima das comemorações e confraternizações que marcaram a passagem dos 144 anos do Mercado Público – que naquela fatídica noite de 6 de julho, ardia em chamas. Como disse Ivan Konig, presidente da Associação dos Permissionários (Ascomepc), no ato das comemorações, o Mercado, além de ser um balizador de preços da cidade, tem uma responsabilidade social muito grande, com 1200 famílias que sobrevivem dele. Vencidas as primeiras fases, ele ruma para a recuperação completa, o que deverá acontecer em oito meses, no máximo, segundo as previsões.

 

            Com os tradicionais parabéns e bolo de aniversário, as comemorações dos 144 anos do Mercado Público foram marcadas por discursos de saudações, lembranças do incêndio recente, e boas novidades, tanto para mercadeiros como para o público. O prefeito interino Sebastião Melo lembrou a promessa do prefeito José Fortunati em devolver o Mercado à população ainda melhor do que estava antes. A boa, e concreta, novidade é que está aprovado pela prefeitura o projeto para que os oito permissionários (os mais atingidos) do 2º andar, passem a ocupar, provisoriamente, o espaço destinado a eventos, no térreo. No local, será instalada uma estrutura com cozinhas e mesas que poderão ser utilizadas pelos restaurantes até que a reforma completa do segundo piso seja concluída. O funcionamento foi anunciado para breve (leia mais na página 2). Melo lembrou a atenção dada pela presidenta Dilma Rousseff, que, ainda na madrugada do incêndio, garantiu apoio à recuperação do Mercado, e aproveitou também para agradecer a participação da Brigada Militar, Guarda Municipal, DMLU e CEEE, que tiveram ações decisivas no sinistro. Por sua vez, o presidente da Ascomepc, Ivan Konig, disse que “esta é uma vitória de todos”, referindo-se à abertura do espaço para os estabelecimentos do andar superior. “Agora todos poderão voltar a tocar os seus negócios”, resumiu. Quanto aos 27 estabelecimentos térreos que ainda não operam nas suas funções normais, disse que “assim que assinar o contrato com a empresa (da obra), a primeira coisa será botar os tapumes, e aí serão liberadas as portas externas do Mercado, junto à avenida Júlio de Castilhos”. Em relação ao 2º piso, onde oito estabelecimentos foram completamente destruídos, Konig disse que “de seis a oito meses a gente consegue devolver o Mercado para Porto Alegre”.

 

O que mudou e aconteceu no Mercado neste último ano 

Comemorações do 143º Aniversário – Outubro 2012

Discursos e música deram o tom das comemorações. As apresentações musicais iniciaram com o Quarteto de Cordas de Porto Alegre, levando música erudita ao público, e a Banda Munch, com ritmos germânicos, para divulgar a Oktoberfest de Santa Cruz. Em seguida, foi a vez do Tchê Piazito, que percorreu os corredores do Mercado levando histórias das origens gaúchas. Teve ainda o Homem Banda, interpretado pelo músico Mauro Bruzza. Finalizando as apresentações, a bateria da escola Imperadores do Samba. O encerramento foi com Parabéns a Você, bolo e muita confraternização.

 

O Mercado narrado em livros

Foram dois livros lançados em 2012 tendo o Mercado como tema: “Mercado Público Central de Porto Alegre”, do jornalista Cesão Miranda, e “Mercado Público – Palácio do Povo”, do também jornalista Rafael Guimaraens, com ilustrações de Edgar Vasques, fotos de Marco Nedeff e Ricardo Stricher.

 

Arte no Mercado

Mostrando que o Mercado é um espaço aberto a todas manifestações, no quadrante 3 o artista mineiro Golb Carvalho exibiu seu talento, pintando a modelo Tahys Pires Leão. O público, curioso, acompanhou de perto a obra do artista.

 

Novo titular da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio

Antigo frequentador do Mercado, Humberto Goulart passou a ser o titular da SMIC, secretaria responsável pela administração e gerência do Mercado, em fins de 2012. Goulart assumiu definindo as reformas de até então como “muito lerdas”, prometendo agilidade em questões como limpeza, segurança, modernização dos banheiros, além de um “upgrade cultural” no Mercado. Também a situação dos decks externos estava na mira do secretário.

 

Acessibilidade no Mercado

Em novembro de 2012 teve início o projeto de estudos para que o Mercado fique credenciado a receber o Selo de Acessibilidade. A ação foi iniciada pela SMACIS (Secretaria de Acessibilidade e Inclusão Social), SMIC (Secretaria Municipal de Produção, Indústria e Comércio) e Ascomepc (Associação de Comércio do Mercado Público Central de Porto Alegre). O Selo atesta que os espaços atendem às normas do Plano Diretor de Acessibilidade, sancionado em 2011.

 

Bará ganha um marco definitivo no Mercado

Um dos símbolos do Museu do Percurso do Negro, o Bará do Mercado, situado no cruzeiro central do Mercado, assentado pelos escravos que construíram a edificação, segundo a tradição, ganhou seu marco definitivo. Trata-se de um mosaico concebido pelos artistas Leandro Machado e Pelópidas, e executado pelo arquiteto Vinícius Viera e o ateliê Mosaico-Leonardo Posenato. O Bará se constitui como lugar de referência para religiosos de matriz africana.

 

Mercado na rota do 1º Circuito de Cervejas e Pratos Gaúchos

O Circuito, promovido pelo Grupo de Trabalho de Gastronomia Regional do Palácio Piratini, tem como objetivo resgatar e difundir a culinária gaúcha, associada com as cervejas artesanais. O restaurante Nova Vida, de Rodrigo Tomasel, pioneiro na introdução desse tipo de bebida no Mercado Público, foi o único a participar entre os estabelecimentos mercadeiros.

 

Reforma no Restaurante Esporte

Dentro da qualificação gradativa do Mercado, o Restaurante Pires, popularmente conhecido como Esporte, em março deste ano concluiu sua reforma. O desejo de ampliar e melhorar o local coincidiu com a solicitação da prefeitura de modernização das bancas nos quadrantes 3 e 4, devido aos eventos da Copa de 2014. A expectativa de Belmiro Pires, o proprietário, é de continuar com o seu tradicional público, mais popular, e “pegar a classe média”.

 

Banca 40 renovada

Uma das mais tradicionais bancas do Mercado também aderiu à modernização. Foi uma ampla reforma, envolvendo maquinário, como freezer, geladeiras, balcões, distribuição física de novos espaços (vestiários no andar superior) e mudanças no visual da loja. Estas reformas vieram para atender o PAS (Programa de Alimento Seguro), no qual a Banca 40 está engajada desde o ano passado.

 

Restaurante Havana modernizado

Com mais de 50 anos de Mercado, o Havana foi outro que também passou por reformas e modernizações, preparando-se para os eventos da Copa de 2014. Conhecido por oferecer mocotó o ano inteiro, está com visual mais limpo e arejado, com nova iluminação, mas não perdeu as suas antigas características – para alegria dos clientes mais fiéis. 

 

Temakeria Japesca indicada como a melhor na Revista Veja

Duas vezes escolhida na edição da Veja Porto Alegre Comer & Beber, que indica os melhores lugares gastronômicos da cidade, em 2012 a Temakeria Japesca foi escolhida pelos leitores da publicação como a melhor de Porto Alegre, em sua categoria. Do Mercado Público, a Banca 40 e o Café do Mercado também receberam indicações.

 

Colecionismo no Mercado

Realizado anualmente em Porto Alegre, o Encontro de Colecionáveis  Cervejeiros é organizado pelo clube gaúcho Tcherveja. Os colecionadores de itens cervejeiros e de refrigerantes fizeram a festa, expondo, trocando e vendendo latas, garrafas, bolachas, canecas e outras raridades em 42 estandes no Espaço de Eventos.

 

Mercado, solidário com as enchentes

Durante semanas a população depositou roupas, cobertores, itens de higiene e até colchões em caixas na área central do Mercado, contribuições destinadas aos desabrigados das chuvas de agosto. As arrecadações foram coordenadas pela FASC, Fundação de Ação Social e Cidadania, da PMPA.

 

Semana do Peixe no Mercado

A Semana, que tem como objetivo principal aumentar o consumo do pescado na mesa dos brasileiros, foi lançada nacionalmente no Mercado Público. Tendo como tema “Pescado, delícia com sabor de saúde”, a ação se estendeu para supermercados, bares, restaurantes, escolas, centros de saúde e outras frentes. Mas, sem dúvida, as peixarias do Mercado foram o grande ponto de venda.

 

Incêndio no Mercado Público – 6.7.2013

Quem via as imagens mostradas pela TV tinha plena certeza que o Mercado inteiro estava sendo consumido pelas chamas. O pânico foi geral: nada sobraria das bancas, restaurantes, lojas. Grande parte da população, principalmente da região central, correu para o entorno do Mercado, não acreditando no que via. Mas uma grande força-tarefa, liderada pelos bombeiros, começava o combate ao fogo, debelado algumas horas mais tarde. Na manhã seguinte, cinzas e marcas da destruição: 10% do Mercado tinha sido completamente destruído, principalmente parte do 2º piso, onde de sete estabelecimentos, lojas e restaurantes, sobraram apenas os escombros. Foram destruídos, ainda, importantes espaços institucionais, como a sede do Programa Monumenta e o Memorial do Mercado.

 

Resposta em 38 dias

Uma grande mobilização rapidamente foi montada, reunindo forças dos governos municipal, estadual e federal, além de entidades como Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, CEEE, DMAE, instituições civis, autoridades e os mais interessados, os permissionários. Mostrando a resistência de quem já passou por quatro incêndios, enchentes e ameaças nestes 144 anos, os mercadeiros foram à luta, limpando e recuperando as áreas atingidas. E, 38 dias depois, o Mercado reabriu, ainda que parcialmente, no dia 13 de agosto, com 68 bancas e estabelecimentos voltando a operar normalmente. Em setembro, foi a vez de mais 17 bancas reabrirem. Outras novidades e próximos passos para a recuperação completa do Mercado você pode conferir na página 2 desta edição. O importante é que o Mercado sobreviveu.

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